Manifestantes protestam contra massacre no Jacarezinho
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Manifestantes protestam contra massacre no Jacarezinho

Foram padronizados os depoimentos dos policiais que participaram da  operação que ocorreu na favela do Jacarezinho e se tornou a mais letal da história do Rio de Janeiro, deixando 27 mortos. As investigações da Polícia Civil foram abertas com testemunhos unificados e considerando como hipótese clara a atuação em legítima defesa .

Essa prática de unificação e adoção de confronto como tese inicial é comum em inquéritos de óbitos por intervenção policial no estado. Nesse caso, ela se repetiu até em uma ocorrência em que os próprios policiais declararam não saber como a vítima foi morta.

O jornal Folha de S. Paulo obteve os depoimentos que mostram que entre os 31 agentes que foram ouvidos como testemunhas, 26 tiveram os trechos iniciais de seus relatos descritos praticamente com as mesmas palavras pela Delegacia de Homicídios (DH) naquele dia 6 de maio, horas após a incursão.

Também foi apurado que os delegados formalizaram o início das investigações escrevendo que “as circunstâncias do fato indicam uma hipótese clara de atuação em legítima defesa por parte dos policiais” em 11 dos 12 inquéritos abertos para apurar o massacre. 

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Segundo o sociólogo da UFRJ, Michel Misse, que pesquisa investigações do tipo, a padronização dos depoimentos é indício de manipulação. "Depoimento não pode ser padronizado. Ele é individual, não há depoimento coletivo. As descrições com a mesmas palavras parecem forjadas. É preciso que o Ministério Público apure", disse à Folha.

Ainda de acordo com o sociólogo,  esses registros costumam ser feitos sem cuidado porque apurações de óbitos por policiais normalmente têm como únicas testemunhas os próprios policiais. Como é o caso da maioria dos inquéritos do Jacarezinho —apenas alguns deles ouvem parentes dos mortos ou famílias que relataram terem sido feitas reféns por criminosos.

Procurada pelo jornal, a Polícia Civil disse que só se pronunciaria sobre as apurações após sua conclusão, "evitando qualquer precipitação".

O Ministério Público estadual montou uma força-tarefa que conduz uma investigação independente que ouviu familiares das vítimas e testemunhas. No entanto, muitos não quiserem depor por medo e relataram ameaças. O MP também ouvirá os agentes envolvidos


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