avô estupra neta
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Avô foi preso pelo estupro de neta de 7 anos

No Espírito Santo, uma menina de 10 anos, grávida após ser violentada , chocou o Brasil nos últimos dias. Na medida do possível, ela passa bem. Nessa quarta-feira (19), deixou o hospital no Recife, onde interrompeu a gestação, mas seu destino é mantido em sigilo para preservá-la. A alta aconteceu pela manhã, quando, aqui no Rio, um outro caso semelhante vinha à tona. Na terça-feira (18), na Baixada Fluminense, um homem de 60 anos foi preso, suspeito de estuprar a neta de sua mulher. A criança tem apenas 7 anos.

"Apesar de não ser parente de sangue da menina, ela o via como avô, pois ele está casado com a avó dela há quase 14 anos. Então, a visão dela era essa, de que ele era avô", afirmou a delegada Mônica Areal, titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) da Zona Oeste do Rio, que fez a prisão na terça.

Na madrugada da própria terça-feira, na casa da família em Guaratiba, na Zona Oeste, um tio da menina, de 17 anos, a flagrou sendo violentada pelo avô de consideração. Segundo o adolescente, por volta das 3h da manhã, ele foi colocar o celular para carregar e, quando entrou na cozinha, viu o suspeito obrigando a sobrinha a colocar a boca em seu órgão sexual . A prisão aconteceu após a mãe da menina ficar sabendo do estupro e ir à Deam para denunciar o padrasto.

"A gente acha que está protegendo por não deixar nossos filhos na rua. Mas, infelizmente, o perigo estava dentro de casa, e a gente nem notou. A maldade é maquiada pela bondade, vem de onde a gente menos espera. Somos dez irmãos. Todo mundo o via (o suspeito) como pai, era uma pessoa muito querida e acima de qualquer suspeita. É com essas pessoas que as mães precisam ter cuidado", alerta a mãe da menina, de 34 anos, relatando que a família está extremamente abalada.

O tio materno da menina, que foi quem descobriu o estupro, contou aos policiais civis que, após o marido de sua mãe ter sido flagrado, ele disfarçou, fechou a calça e continuou fazendo café.

"Ele seguiu como se nada estivesse acontecendo. Ouvimos o depoimento desse tio. Ele confirmou e deu detalhes, um relato muito consistente. Estava muito abalado. Aliás, a família toda está muito abalada", disse a delegada.

O preso negou ter cometido o crime. Ele alegou que a menina estava na pia ao seu lado, esbarrou nele e ajoelhou-se, colocando a boca na calça do avô de consideração, versão descartada por Mônica Areal. O homem foi autuado em flagrante pelo crime de estupro de vulnerável, que tem pena de oito a 15 anos de prisão.

Suspeito de outros abusos

A delegada Mônica Areal acredita que o avô possa ter abusado outras vezes da menina. Por isso, continuará investigando o caso. Ela também vai apurar se o idoso fez outras vítimas, dentro ou fora da família. Nos próximos dias, a garota será ouvida pela polícia em um procedimento especial voltado para crianças vítimas.

"Esse depoimento especial tem o objetivo de atingir a criança o mínimo possível É uma oitiva gravada. Começamos a conversar sobre coisas corriqueiras e, depois que a vítima está um pouco mais à vontade, é que começamos a tocar no assunto do crime em si. Vamos esperar uns dias apenas para que a família toda se acalme, e aí ela será ouvida, até para que a gente possa ter mais detalhes do que vinha ocorrendo", explica a delegada, acrescentando que vai colher o depoimento com apoio de agentes da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav).

A mãe da menina afirma acreditar que os abusos tenham começado há pouco mais de dois anos, quando ela se mudou para a casa da mãe e do padastro, junto com seus sete filhos, para fazer obras em sua residência. Ela relata ter receio de que outros filhos também possam ter sido vítimas do avô de consideração. Todos, incluindo a mãe, terão acompanhamento psicológico.

"Acredito que ele (avô da criança) tenho visto uma facilidade para agir porque passamos a morar ali. E nunca desconfiamos de nada porque minha filha não teve qualquer mudança de comportamento. Ela é muito extrovertida e brincalhona. Nunca notamos nada de errado", conta.

Exame de corpo de delito

Nessa quarta-feira, a criança passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de Campo Grande, também na Zona Oeste, e foi constatado que não houve penetração, o que não descaracteriza o crime de estupro. A mãe da menina disse ter ficado aliviada ao receber a notícia.

"Graças a Deus, o ato em si não ocorreu. É claro que está sendo muito traumático para ela, mas seria pior se a penetração tivesse acontecido. Isso me deixou um pouco aliviada e menos envergonhada. Porque parece que está todo mundo nos olhando torto, como se nós tivéssemos falhado. Mas não temos culpa da maldade do ser humano. Infelizmente, acontece onde menos esperamos. Os pais precisam estar muito atentos", ressalta.

Em entrevista ao EXTRA, ela relembrou detalhes de como seu irmão de 17 anos agiu ao flagrar o padrasto abusando da criança. Segundo a mulher, o adolescente evitou confrontar o idoso sobre o que havia presenciado, com receio de qual seria sua reação. O adolescente apenas deixou claro para ele o que havia visto. O padrasto então pegou uma mochila e deixou a casa. O tio da criança vem tendo crises de choro depois do que presenciou:

"Na hora, meu irmão não quis medir forças. Apenas deixou claro que viu e foi me acordar. Mas ele (o padrasto) acabou indo embora. Quando ouvi o que tinha acontecido, fiquei em choque. É uma dor muito grande ouvir que uma coisa dessas aconteceu com um filho seu".

Vò da criança está ‘sem chão’

A mulher relata que sua mãe, avó da vítima, era casada há quase 14 anos com o padrasto e está “sem chão”, a base de remédios. Ela conta que conhece apenas um irmão do padrasto, que é natural da cidade de Montanha, no Espírito Santo. O município está a pouco mais de 100km de de São Mateus, onde ocorreu o estupro da menina de 10 anos que engravidou.

Ao ser preso em seu trabalho, em Nilópolis, o avô da menina relatou que, apesar de morar no Rio há duas décadas, nunca fez carteira de identidade no estado. A falta de documento dificultou sua identificação, que só foi possível por meio de suas impressões digitais. Os dados papiloscópicos foram enviados ao Instituto Félix Pacheco, que conseguiu confirmar a identificação.

"É algo um pouco estranho. Morando aqui há 20 anos, ele não tinha feito identidade? Não sabemos se havia algum interesse nisso, se ele havia feito alguma vítima em outro estado, por exemplo. Isso tudo também será apurado", afirma a delegada Mônica Areal.

Após a prisão do idoso, a mãe da menina estuprada afirma que passou a desconfiar de um fato que ocorreu recentemente. Segundo ela, o padrasto recebeu uma quantia em dinheiro, mas o valor só poderia ser retirado em sua cidade de origem:

"Nós insistimos que ele deveria ir para buscar esse dinheiro, mas ele se negou. Na época, ninguém estranhou".

Além do estupro em si, a Deam investiga se o idoso teve ajuda para se esconder da polícia. Os agentes estiveram em vários endereços até conseguir localizá-lo. Ontem, prestou depoimento na delegacia um rapaz que teria avisado ao suspeito que ele estava sendo procurado pela polícia. Os policiais encontraram uma mensagem dele no celular do preso. Mônica Areal informou que esse rapaz pode responder por favorecimento pessoal.

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