Bombeiros testam o pó antichamas brasileiro ‘Realiza Antichamas’ na região de Palembang, Sumatra do Sul, Indonésia
Divulgação/InfoPublik/Governo da Indonésia
Bombeiros testam o pó antichamas brasileiro ‘Realiza Antichamas’ na região de Palembang, Sumatra do Sul, Indonésia

Equipes de bombeiros da Indonésia testam produto brasileiro contra chamas desde o início de outubro para tentar combater focos de incêndio em áreas de turfa, formadas por camadas de restos vegetais e orgânicos em decomposição parcial que podem entrar em combustão contínua e lenta.

O problema é a fumaça e o cheiro forte que se espalham com isso. Bombeiros de Sumatra do Sul, na região de Palembang, Indonésia, tentam  controlar os incêndios há meses bombeando água para de baixo do solo, sem muito sucesso.

As autoridades locais decidiram testar a ferramenta brasileira “Realiza Antichamas”, um pó que misturado com água forma um gel e torna o composto mais eficiente do que o normal, conforme a fabricante. A ideia é tanto apagar focos mais rápido, quanto usar menos água para isso.

Equipes de bombeiros das ilhas de Sumatra e Kalimantan testam a solução desde o início de outubro. Conforme o The Straits Times, ainda não se sabe se o gel funcionará nos incêndios subterrâneos mais críticos.

O fogo em área de turfa queima lentamente a vários metros de profundidade. Não se sabe se a mistura consegue chegar até lá. Contudo, segundo um dos bombeiros, a diferença foi nítida já no primeiro uso.

Ainda em estágio de testes, Dudung Abdurachman, ministro coordenador de Assuntos Políticos de Segurança afirmou ao The Straits Times que o gel não prejudica a fauna nem mata as plantas e que os resultados iniciais são positivos.


Aplicação e testes com o gel brasileiro

Ainda conforme as informações, testes foram feitos em uma faixa de solo tratada com o produto em comparação com outras sem aplicação. O ponto sob proteção não pegou fogo quando chamas chegaram nele.

Por outro lado, ainda não se sabe se o gel consegue apagar incêndios que queimam lentamente nas profundidades das turfas. Ainda assim, a ideia é aplicar o produto tanto em terra quanto com helicópteros.

O pó é uma mistura de sacarose e celulose que mantém o solo úmido e impede que o fogo volte a se espalhar por até 72h. Novos testes com aplicações em profundidade estão sendo realizados, em uma faixa de 1,5 metros.

El Niño agrava situação dos incêndios

De acordo com as informações, a temporada de incêndios deste ano tem sido excepcional, agravada pelo El Niño intenso de 2026. De janeiro a julho, 202.004 hectares foram atingidos, 69% a mais do que no ano anterior durante o mesmo período.

As principais ilhas do país, como a Sumatra e Kalimatan, estão entre as regiões mais atingidas. As áreas de turfa seca são as mais críticas, já que são difíceis de apagar. O incêndio acontece em camadas espessas de vegetação em estágio parcial de decomposição abaixo do solo.

Essa “massa” pode queimar lentamente por semanas e não é alcançada pela água lançada sob o solo. Os focos causam fumaças que prejudicam a visão e dificultam ainda mais o trabalho dos bombeiros.

Na última quinzena de outubro a fumaça avançou por Singapura, Malásia, Filipinas e Timor-Leste, que sofrem com a piora da qualidade do ar. Em Palembang, a concentração de partículas finas chegou a 816 microgramas por m³, três vezes acima do volume classificado como “perigoso” pela plataforma IQAir.

Além de problemas respiratórios agravados, escolas foram fechadas e voos interrompidos na região, enquanto o governo busca alternativas para o controle dos incêndios, como o gel brasileiro.

Em contrapartida, equipamentos que usem o gel podem acabar entupidos caso não sejam lavados. O país também recorreu a outras possibilidades, como farinha de mandioca e gelo seco, em tentativas de resposta à crise causada pelo fogo.

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