Supervulcão Yellowstone entrou em erupção apenas três vezes, ainda antes da humanidade, mas é um dos mais estudados
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Supervulcão Yellowstone entrou em erupção apenas três vezes, ainda antes da humanidade, mas é um dos mais estudados

A Terra possui cerca de 1.500 vulcões, desde exemplares muito antigos mas ainda ativos, como o Monte Etna, de 500 mil anos, na Itália, até outros adormecidos e novos, como o Parícutin, no México, que surgiu em 1943 no meio de uma plantação de milho. Apesar do poder de destruição de uma erupção normal, apenas 20 deles são classificados como “supervulcões” e teriam capacidade de promover uma catástrofe.

A classificação leva em conta o potencial explosivo dos vulcões, que devem ter capacidade de liberar no mínimo 1.000 quilômetros cúbicos de material em uma eventual erupção, como cinzas, rochas, lava. Esse valor chegaria ao nível 8 do Índice de Explosividade Vulcânica (VEI).

À título de comparação, erupções recentes do Monte Etna, em 2025, liberaram cerca de 8,4 milhões de m³ de material, cerca de 0,0008%, menos de um milésimo, do estimado no caso de uma supererupção.

Os supervulcões não abrangem todas regiões do planeta, estando ausentes em alguns continentes. Na América do Norte, contudo, somente nos  Estados Unidos existem três, e o mais perigoso seria o Yellowstone.

O exemplar atuou apenas três vezes na história, sendo que o episódio mais recente foi ainda antes da humanidade povoar o continente. Ou seja, o cenário é extremamente improvável, mas ainda assim é objeto de estudo.

Isso porque seria altamente destrutivo. Com isso, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) mantém monitoramento constante das atividades do supervulcão e um estudo recente tentou estimar o que aconteceria no caso de uma explosão na atualidade.

Por outro lado, segundo o USGS, o supervulcão de Yellowstone não está em processo de preparação para uma supererupção. O reservatório de magma e o formato montanhoso em cone do Yellowstone o tornam único e potencialmente violento.


Cenário hipotético: resfriamento global

Infográfico supervulcão


Um artigo publicado no The Conversation por cientistas da University College London e da Coventry University apresentaram um cenário hipotético sobre o que aconteceria se Yellowstone entrasse em erupção.

O estudo se chama Analysis: Blow-by-blow account of what would happen if the Yellowstone supervolcano erupted now”, e é assinado por Ilan Kelman.

O supervulcão Yellowstone entrou em erupção somente três vezes: há 640 mil anos, quando expeliu pouco mais de 1.000km³ de material; há 1,3 milhões de anos, quando a explosão beirou os 300km³, o que é consideravelmente abaixo de uma supererupção, ainda que grande; há 2,1 milhões de anos, em um episódio de 2.450 km³ que casou mudanças drásticas no clima da Terra.

Atualmente, o conhecimento e monitoramento sobre a atividade vulcânica seria uma peça-chave para reduzir o impacto da explosão. Conforme o USGS (United States Geological Survey), seria possível detectar sinais de erupção semanas antes do evento.

Isso porque a atividade é tão intensa que geraria pequenos terremotos e elevação do terreno por conta do movimento da lava em direção à crosta terrestre e a caminho do vulcão. Com isso, seria possível gerar um alerta e mobilizar evacuações em massa para reduzir o impacto local da explosão.

Conforme o inchaço permanecesse, os cientistas poderiam ter praticamente certeza do novo episódio, iniciando a mobilização. O alerta seria classificado pelo Observatório do Vulcão Yellowstone (YVO), que atualizou o protocolo de resposta geológica em 2025.

O documento estabelece como cientistas monitoram terremotos, deformação do solo, atividade hidrotermal e sinais de atividade vulcânica, e define como seriam feitas as comunicações com autoridades e população.

São quatro níveis diferentes de alerta, incluindo a necessidade de evacuação. Depois disso, viriam o maior problema: o volume extraordinário de cinza e lava afetaria sistemas elétricos e poderia causar apagões generalizados na região.

Posteriormente, a atmosfera seria impactada com gases tóxicos capazes de gerar perda de plantações em massa, alterar o regime das chuvas, precarizar o acesso à água potável, dentre outros efeitos.

A dificuldade de acesso a alimento e água seria uma das principais causas de eventuais mortes e perda de expectativa de vida por cerca de 10 anos. No pior cenário hipotético, cerca de 700 milhões a 1,3 bilhão de pessoas poderiam morrer.

Ao longo desse período, a Terra entraria em um resfriamento global por conta do volume de dióxido de enxofre (SO²) lançado na atmosfera. As estimativas não são precisas, mas sugerem que a temperatura média do planeta cairia menos do que 1,5ºC.

O gás de enxofre promove reações químicas que formam uma espécie de “espelho” na atmosfera, o que refletiria parte da radiação solar de volta e reduziria a energia que chega ao planeta.

Essas alterações mudariam a dinâmica climática conhecida e poderiam impactar diretamente a agricultura e a produção de alimentos, além, claro, da biodiversidade terrestre. Apesar do cenário, a projeção indica que a humanidade sobreviveria.

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