
Apesar de ser conhecido pelas temperaturas baixas e neve, os Estados Unidos também têm lugares que sofrem com dias quentes. Em meio ao calor intenso, uma cidade estadunidense decidiu testar uma forma diferente de tentar diminuir o aquecimento das ruas. Em 2020, alguns bairros residenciais passaram a receber um revestimento claro e refletivo sobre o asfalto.
Phoenix, no Arizona, é uma das cidades mais quentes do país. O local registra, em média, 111 dias por ano com temperaturas de pelo menos 37,8 °C e mais de 160 dias acima de 32,2 °C.
Como o material é mais claro que o asfalto tradicional, ele reflete uma parte maior da luz do sol e absorve menos calor. Com isso, a superfície das ruas poderia ficar mais fria.
O revestimento, conhecido como “pavimento frio”, é aplicado diretamente sobre o asfalto que já existe. O material é à base de água e contém asfalto, água, um agente que ajuda a misturar os componentes, materiais minerais, polímeros e materiais reciclados.

Ruas ficaram até 6,7 °C mais frias
Os resultados analisados pela Arizona State University (ASU) mostraram uma diferença notável na temperatura da superfície. Durante os horários mais quentes do dia, as ruas que receberam o revestimento ficaram até 6,7 °C mais frias do que as ruas com asfalto convencional.
No primeiro estudo, a temperatura média da superfície foi entre 5,8 °C e 6,7 °C menor ao meio-dia e durante a tarde. Ao nascer do sol, a diferença era menor: cerca de 1,3 °C.
A pesquisa também mostrou que o efeito não ficava apenas na parte de cima da rua. Abaixo da superfície, a temperatura foi, em média, 2,7 °C menor nas áreas que receberam o revestimento.
Em 2022, uma segunda etapa do estudo encontrou resultados parecidos. Mais uma vez, a redução da temperatura da superfície chegou a 6,7 °C, principalmente ao meio-dia e durante a tarde.
Pavimento mais frio não significa menos calor para quem passa
Havia, porém, outro efeito importante. No meio do dia, a maior reflexão da luz solar pelo revestimento podia aumentar a exposição das pessoas à radiação térmica.
Segundo os resultados do primeiro estudo, essa diferença chegou a 3,1 °C. Na prática, isso significa que, mesmo com a superfície da rua mais fria, uma pessoa caminhando sobre o pavimento tratado poderia receber mais calor da radiação refletida.
Os pesquisadores, no entanto, apontaram que essa experiência era semelhante à de caminhar sobre uma calçada de concreto.
Ou seja, o revestimento consegue diminuir bastante o calor acumulado no asfalto, mas parte da energia do sol é refletida de volta para o ambiente. Por isso, uma superfície mais fria não significa automaticamente uma sensação de frescor maior para quem está na rua.
Ar não esfriou na mesma proporção
Apesar de as ruas terem ficado consideravelmente mais frias, o mesmo não aconteceu com a temperatura do ar.
No primeiro estudo, o ar medido a cerca de 1,8 metro de altura ficou, em média, apenas 0,3 °C mais frio durante a noite nas áreas tratadas.
Na segunda pesquisa, a redução também foi pequena. Em diferentes alturas acima da rua, a queda média foi de aproximadamente 0,07 °C. Em medições feitas em pontos fixos, a diferença média chegou a cerca de 0,5 °C.
Os resultados mostram, portanto, que o revestimento funciona melhor para diminuir o calor acumulado no próprio asfalto do que para reduzir a temperatura do ar ao redor.
A experiência de Phoenix mostra que deixar as ruas mais claras pode reduzir bastante a temperatura da superfície. Mas o efeito sobre o ar é bem menor e, durante o dia, a reflexão da radiação pode aumentar a exposição ao calor de quem está sobre o pavimento.