
O antigo Mar de Aral, na Ásia Central, revelou um cemitério de navios no deserto depois que a parte leste do lago secou completamente em agosto de 2014.
A mudança aconteceu depois da redução da quantidade de água do rio Amu Darya, da diminuição das chuvas e da neve nas montanhas Pamir e da retirada contínua de água dos rios para irrigar plantações.
Conforme a água recuou, embarcações que antes navegavam pelo Mar de Aral ficaram cada vez mais longe da margem e acabaram abandonadas sobre o antigo fundo do lago.
A transformação também atingiu as comunidades que dependiam da pesca. Com a redução da quantidade de água e o aumento da concentração de sal, a atividade pesqueira entrou em colapso em várias áreas.

De mar a deserto
O Mar de Aral já foi o quarto maior lago do mundo, com cerca de 67 mil quilômetros quadrados em 1960. Localizado entre áreas que hoje pertencem principalmente ao Cazaquistão e ao Uzbequistão, ele recebia água dos rios Amu Darya e Syr Darya, que nascem em regiões montanhosas e atravessam áreas desérticas antes de chegar ao lago.
A situação começou a mudar nas décadas de 1950 e 1960, quando o governo da antiga União Soviética desviou parte da água dos dois rios para abastecer plantações. A medida permitiu ampliar a agricultura, principalmente de algodão, em uma região de clima seco, mas fez com que menos água chegasse ao lago.
No início dos anos 2000, ele já havia se separado em duas grandes áreas. Ao norte ficava o Pequeno Mar de Aral, no Cazaquistão. Ao sul estava o Grande Mar de Aral, no Uzbequistão, que depois também se dividiu em uma parte oeste e outra leste.

A parte leste, por ser mais rasa, foi uma das regiões mais afetadas pela redução da água.
A seca histórica de 2014
A transformação mais extrema aconteceu no verão de 2014. Imagens feitas pelo MODIS, um equipamento instalado no satélite Terra que registra imagens da superfície da Terra, mostraram que a parte leste do Grande Mar de Aral havia secado completamente em 19 de agosto.

Segundo Philip Micklin, geógrafo emérito da Universidade Western Michigan e especialista no Mar de Aral, aquele foi o primeiro registro de secamento completo da parte leste do lago nos tempos modernos.
O pesquisador também disse que um fenômeno parecido provavelmente não acontecia há cerca de 600 anos. A última ocorrência teria acontecido durante um período medieval, quando o curso do rio Amu Darya foi desviado para o Mar Cáspio.
A seca de 2014 aconteceu depois de uma redução nas chuvas e na quantidade de neve nas montanhas Pamir, região que contribui para abastecer o rio Amu Darya. Com menos água chegando ao rio, também diminuiu a quantidade disponível para o Mar de Aral. Ao mesmo tempo, grandes volumes de água continuaram sendo retirados dos rios para irrigar as plantações.