
Imagens assustadoras feitas pelo fotógrafo Nick Brandt voltaram a chamar atenção nas redes sociais ao mostrarem aves e morcegos aparentemente transformados em pedra às margens do misterioso Lake Natron. O cenário sombrio, com corpos preservados diante de águas avermelhadas, alimentou teorias sobre um possível fenômeno sobrenatural. A realidade, porém, é ainda mais impressionante. As informações são da IFL Science.
Localizado no norte da Tanzânia, o lago é considerado um dos ambientes mais hostis do planeta. Suas águas podem atingir até 60°C, temperatura semelhante à de uma xícara de café quente, e possuem um nível de alcalinidade extremo, com pH que chega a 12, quase equivalente ao de produtos de limpeza doméstica.
O lago é quente e altamente salino
Além do calor intenso, o lago é altamente salino. A combinação ocorre devido à forte evaporação da região e à atividade vulcânica próxima, especialmente do vulcão Ol Doinyo Lengai, que libera compostos ricos em carbonato de sódio e cálcio para as fontes termais que abastecem o lago.

O resultado é um ambiente praticamente inabitável para a maioria das espécies. Ainda assim, alguns organismos conseguem sobreviver. Microrganismos conhecidos como haloarqueias dão à água sua coloração vermelha intensa e servem de alimento para flamingos-menores, que utilizam a região como principal área de reprodução no leste africano.
Apesar disso, muitos animais acabam morrendo ao entrar em contato com a água. Especialistas acreditam que aves migratórias frequentemente se confundem com o reflexo espelhado da superfície e colidem contra o lago. Em 2007, até mesmo um helicóptero caiu após o piloto ficar desorientado pelo efeito visual causado pela água.
As famosas imagens de “animais petrificados”, no entanto, escondem um detalhe importante: os corpos não viram pedra de verdade. Segundo Brandt, os animais encontrados às margens estavam desidratados e cobertos por minerais acumulados na água. O processo é semelhante à mumificação.
O natron, mistura de sais que dá nome ao lago, remove umidade e gordura dos corpos, preservando restos de pele, penas e ossos. A mesma substância era usada pelos antigos egípcios para mumificar cadáveres humanos.
O fotógrafo também revelou que posicionou os animais manualmente antes de registrá-los, criando a aparência de criaturas congeladas no instante da morte.
Apesar da fama assustadora, especialistas alertam que o lago não transforma seres vivos instantaneamente em pedra. Ainda assim, entrar em suas águas pode causar queimaduras graves e dores intensas, principalmente em pessoas com cortes ou ferimentos na pele.
Ninguém pisaria ali para nadar. Seria uma loucura completa Nick Brandt, em entrevista à revista Smithsonian