Como uma rede de pizzaria sabe quando os EUA farão uma operação
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Como uma rede de pizzaria sabe quando os EUA farão uma operação

Quando a madrugada esquenta em Washington, alguns observadores dizem que o primeiro sinal não vem de comunicados oficiais nem de movimentações militares visíveis, mas das pizzarias.

Essa é a base da chamada “teoria da pizza do Pentágono, uma curiosa observação informal que relaciona aumentos repentinos em pedidos de comida rápida nas redondezas de prédios estratégicos dos Estados Unidos a grandes crises internacionais. Com informações da FOX, CNN e Los Angeles Times.

Pentágono moderno nos EUA
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Pentágono moderno nos EUA


A ideia também é conhecida como Pizza Meter ou Pentagon Pizza Index e ganhou notoriedade nos anos 1990.

O início da teoria da pizza do Pentágono

Em 1990, Frank Meeks, franqueado da rede de pizzarias Domino's na capital americana, contou ao Los Angeles Times que percebeu algo fora do comum em entregas feitas tarde da noite para locais como o Pentágono, a sede da CIA e a Casa Branca.

Segundo ele, em 1º de agosto daquele ano, a CIA teria feito um pedido recorde de 21 pizzas em uma única noite. No dia seguinte, o Iraque invadiu o Kuwait, dando início à Guerra do Golfo. A princípio, Meeks acreditou se tratar apenas de coincidência, mas passou a notar padrões semelhantes em outros momentos delicados da política internacional.

Domino's
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Domino's


Em dezembro de 1998, por exemplo, houve um novo aumento de pedidos durante o processo de impeachment do então presidente Bill Clinton. Na época, o jornalista Wolf Blitzer, correspondente da CNN no Pentágono, chegou a brincar: “A lição para jornalistas é simples: sempre monitorem as pizzas”.

Curiosamente, há até observações paralelas que reforçam o folclore político: bares frequentados por públicos específicos em Washington registrariam queda de movimento em noites em que funcionários do Pentágono permanecem trabalhando até mais tarde.

Washington DC
FreePik
Washington DC


Décadas depois, a teoria ganhou vida nova nas redes sociais. Em agosto de 2024, surgiu no X (antigo Twitter) a conta “Pentagon Pizza Report”, dedicada a acompanhar dados públicos de movimentação em pizzarias próximas a prédios do governo, com base em informações do Google Maps. Apesar disso, o perfil não tem acesso ao volume real de pedidos nem ao destino das entregas.

Na segunda-feira (5), o perfil fez uma postagem avisando aos usuários do X que várias pizzarias próximas ao Pentágono registraram movimentos maiores do que o normal:

"Diversas pizzarias próximas ao Pentágono relatam movimento acima da média.

O bar Freddies Beach Bar está com um movimento muito intenso."


Ao longo dos anos, diversos episódios passaram a ser citados como exemplos. Nos anos de 1983 e 1989, picos de pedidos teriam antecedido as invasões americanas a Granada e ao Panamá.

Em 1991, houve relatos de aumento nas encomendas antes da Operação Tempestade no Deserto. Já em janeiro de 1998, logo após o escândalo envolvendo Clinton e Monica Lewinsky, a Casa Branca teria feito milhares de dólares em pedidos em poucos dias.

Casos mais recentes também alimentaram a curiosidade. Em abril de 2024, um aumento incomum de movimento em uma pizzaria de Washington coincidiu com o lançamento de drones do Irã contra Israel.

Em junho de 2025, dados de visitas ao vivo indicaram forte atividade em estabelecimentos próximos ao Pentágono pouco antes de bombardeios israelenses contra alvos iranianos e, dias depois, antes do anúncio de ataques dos Estados Unidos a instalações nucleares no Irã.

Já entre a noite de 2 e a madrugada de 3 de janeiro de 2026, um novo pico chamou atenção: uma pizzaria nas proximidades do Pentágono registrou movimentação atípica horas antes de ações militares dos Estados Unidos na Venezuela.


A operação foi confirmada oficialmente apenas depois, quando o então presidente Donald Trump anunciou a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que haviam sido dadas como desaparecidas por autoridades venezuelanas.

Embora especialistas ressaltem que não há qualquer comprovação científica ou estratégica por trás da teoria, o “termômetro da pizza” segue despertando curiosidade, e rendendo debates, sempre que caixas empilhadas parecem anteceder decisões que mudam o rumo da política internacional.

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