Ex-chefe de necrotério de Harvard é condenado por tráfico de restos humanos
Steven Porter/The Boston Globe
Ex-chefe de necrotério de Harvard é condenado por tráfico de restos humanos

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou que Cedric Lodge, de 58 ano s, e Denise Lodge, de 65, moradores de Goffstown, no estado de New Hampshire , foram condenados na terça-feira (16) por envolvimento no transporte interestadual de restos humanos roubados. A sentença foi proferida pelo juiz-chefe federal Matthew W. Brann, no Distrito Médio da Pensilvânia.

Cedric Lodge recebeu pena de 96 meses (oito anos) de prisão. Já Denise Lodge foi condenada a 12 meses e um dia de reclusão. Ambos participaram de um esquema ilegal envolvendo a retirada, venda e envio de partes de corpos humanos que haviam sido doados à ciência.

Bolsas de estudo na Universidade Harvard são para o cargo de professor pesquisador visitante júnior
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Segundo o procurador federal Brian D. Miller, entre 2018 e pelo menos março de 2020, Cedric Lodge atuou diretamente na venda e no transporte interestadual de restos humanos furtados do  necrotério da Faculdade de Medicina de Harvard, em Boston, Massachusetts. À época, ele ocupava o cargo de gerente do necrotério da instituição.

De acordo com a investigação, Lodge retirava órgãos e partes de cadáveres doados, como cérebros, pele, mãos, rostos, cabeças dissecadas e outros fragmentos, após o uso em pesquisas e aulas, mas antes do descarte previsto no acordo de doação anatômica firmado entre os doadores e a universidade. As remoções eram feitas sem o conhecimento ou autorização da instituição, dos doadores ou de seus familiares.

Necrotério
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Necrotério


Os restos humanos eram levados por Cedric Lodge até sua residência em New Hampshire. Em seguida, ele e a esposa vendiam o material ilegalmente. As partes eram enviadas a compradores em outros estados pelos Correios dos Estados Unidos ou retiradas pessoalmente pelos próprios compradores, que depois faziam o transporte. As remessas partiram do necrotério em Boston para destinos como Salem, em Massachusetts, além de cidades em New Hampshire e na Pensilvânia.

Entre os compradores estavam Joshua Taylor e Andrew Ensanian. Parte do material adquirido era revendida com lucro, inclusive para Jeremy Pauley, que já havia se declarado culpado por conspiração e transporte interestadual de restos humanos roubados. A sentença de Pauley está marcada para o dia 22 de dezembro de 2025.

Para o inspetor Christopher Nielsen, chefe da Divisão da Filadélfia do Serviço de Inspeção Postal dos EUA, o caso expõe a gravidade do crime.

“O tráfico de restos humanos roubados por meio do serviço postal é um ato perturbador, que vitimiza famílias enlutadas e ainda cria riscos potenciais para funcionários e clientes dos Correios”, afirmou. Segundo ele, as condenações podem trazer algum senso de justiça às vítimas.

O agente especial Wayne A. Jacobs, responsável pelo escritório do FBI na Filadélfia, destacou que as sentenças representam um avanço na responsabilização dos envolvidos.

“Este é mais um passo para garantir que aqueles que planejaram e executaram esse crime hediondo sejam levados à Justiça”, declarou, agradecendo a cooperação entre o FBI, o Serviço de Inspeção Postal e o Ministério Público.

Outros réus ligados ao esquema já haviam se declarado culpados, entre eles Joshua Taylor, Andrew Ensanian, Matthew Lampi, Katrina Maclean e Angelo Pereyra. Lampi foi condenado a 15 meses de prisão, enquanto Pereyra recebeu pena de 18 meses. Taylor ainda aguarda sentença.


O caso também envolveu Candace Chapman-Scott, que furtou restos humanos de um crematório no estado do Arkansas, onde trabalhava, e os vendeu a Pauley, na Pensilvânia. Ela se declarou culpada em tribunal federal do Arkansas e foi condenada a 15 anos de prisão.

A investigação contou com a atuação do FBI, do Serviço de Inspeção Postal dos Estados Unidos e do Departamento de Polícia de East Pennsboro Township. A promotora federal assistente Alisan Martin é a responsável pela acusação.

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