Evidências de mumificação por defumação foram encontradas em sítios arqueológicos
Divulgação/PNAS
Evidências de mumificação por defumação foram encontradas em sítios arqueológicos

Pesquisadores identificaram no Sudeste Asiático os restos humanos mais antigos já preservados por técnicas de mumificação . Datados de até 14 mil anos, os corpos pertencentes a populações de caçadores-coletores  eram preparados por meio da defumação, e não por embalsamento  ou secos naturalmente como outros tipos de múmias.

A descoberta foi feita a partir da análise de 54 sepultamentos destas populações encontrados em 11 sítios arqueológicos , principalmente no norte do Vietnã e no sul da China, com idades entre 12 mil e 4 mil anos, explica a revista New Scientist.

Descoberta após análise científica

Sepultamento mostra os ossos parcialmente queimados, na técnica de mumificação
Divulgação/PNAS
Sepultamento mostra os ossos parcialmente queimados, na técnica de mumificação


Mais de 90% das amostras ósseas estudadas, dos restos mortais encontrados na região, apresentaram sinais claros de exposição a baixas temperaturas por longos períodos, o que indica um processo de defumação que poderia durar semanas ou até meses.

Segundo a arqueóloga Hsiao-chun Hung, da Universidade Nacional da Austrália, a técnica se assemelha à tradição ainda praticada pelos Dani, povo indígena de Papua Ocidental, na Indonésia. Eles expõem os corpos dos mortos à fumaça, mantêm os ancestrais mumificados em casa e os reverenciam como parte da família. Nessas práticas, os corpos costumam ser fortemente amarrados em posição encolhida, formato que também foi observado em esqueletos antigos do Vietnã.

Múmia de 14 mil anos

Entre os achados mais impressionantes está um corpo do sítio de Hang Muoi, no Vietnã, datado de cerca de 14 mil anos, que apresenta evidências visíveis de que foi parcialmente queimado e amarrado. Até então, as múmias mais antigas conhecidas eram as da cultura Chinchorro, no Chile, com 7 mil anos, e as do Egito Antigo, com 4.500 anos.

Para os pesquisadores, as evidências indicam que a prática de defumação de corpos se espalhou amplamente pelo Sudeste Asiático e sul da China, persistindo até 3.500 ou 4.000 anos atrás, quando sociedades agrícolas passaram a dominar a região.

Segundo a New Scientist, registros etnográficos mostram ainda que tradições semelhantes chegaram a ser observadas no sul da Austrália até o início do século 20.

Cultura de mumificar os mortos

O arqueólogo Vito Hernandez, da Universidade Flinders, na Austrália, destacou que o estudo derruba a ideia de que a mumificação teria surgido apenas em ambientes áridos, como o deserto do Atacama ou o vale do Nilo.


Para ele, a descoberta mostra o papel fundamental das regiões tropicais na criação de tradições funerárias próprias, que atravessaram milênios e conectam caçadores-coletores do Holoceno com povos indígenas atuais da Oceania.

Segundo Hung, o que se revela é uma combinação única de técnica, cultura e espiritualidade: “Os resultados mostram que um profundo respeito e amor pelos ancestrais foi capaz de atravessar milhares de anos, resistindo do Paleolítico até os dias de hoje", disse, à revista científica PNAS.

    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!
    Mais Recentes