Um ataque brutal em Bangkok chocou a Tailândia nesta semana
. O tratador
Jian Rangkharasamee, de 58 anos, foi morto por um grupo de leões no Safari World
, onde trabalhava havia mais de duas décadas. O episódio levou ao fechamento imediato da área de predadores do parque e desencadeou uma revisão nacional das práticas de segurança em atrações de vida selvagem. As informações são da South China Morning Post.
Segundo autoridades, Jian dirigia sozinho pela zona de safári quando, por razões ainda desconhecidas, desceu do veículo e virou as costas para os animais. Um dos leões avançou e mordeu sua nuca, enquanto outros se juntaram ao ataque. Testemunhas relataram que a cena durou cerca de 15 minutos, durante os quais turistas, apavorados, buzinavam sem poder intervir. O tratador não chegou a pedir socorro.
A autópsia apontou lesões fatais no pescoço e graves traumas nos membros, mas sem sinais de tentativa de consumo da vítima.
“Os órgãos estavam intactos, o que indica que os animais apenas atacaram, sem intenção de se alimentar” , explicou o major-general Wirul Supasingsiripreecha, do Hospital Geral da Polícia.
O Departamento de Parques Nacionais (DNP) determinou o confinamento e retreinamento dos cinco leões envolvidos (Trump, Bite, Aon, Ai e Yao, todos com cerca de 10 anos). Outros dois animais foram isolados por precaução.
“É fundamental que seu comportamento seja gradualmente modificado” , afirmou o diretor-geral Attapol Charoenchansa.
A tragédia também revelou problemas estruturais: cercas danificadas, placas de aviso insuficientes, ausência de câmeras em áreas-chave e até a falta de licença válida para o funcionamento do parque, vencida desde outubro de 2024.
Embora a direção do Safari World tenha lamentado a morte e ressaltado que é o primeiro caso do tipo em 40 anos, grupos de defesa animal destacaram que falhas regulatórias são comuns na Tailândia. O país abriga cerca de 620 leões em zoológicos, criadouros, cafés temáticos e até residências privadas, apesar da proibição recente da importação.
Organizações como a Wildlife Friends Foundation Thailand e a PETA aproveitaram o episódio para reforçar a cobrança por leis mais rígidas e pelo fim da exploração comercial de grandes felinos.
“Se isso acontece em um zoológico que alega seguir protocolos, imagine no quintal de alguém” , disse Edwin Wiek, fundador da WFFT.
Diante da repercussão, o governo iniciou uma inspeção nacional em parques que abrigam predadores, incluindo Safari Park (Kanchanaburi), Sriracha Tiger Zoo e Tiger Park Pattaya (Chon Buri) e Tiger Park Phuket. O setor, já criticado por práticas polêmicas como lutas de orangotangos e shows de elefantes, volta ao centro de uma crise de credibilidade.
Enquanto isso, a área de safári do Safari World permanece fechada por tempo indeterminado, à espera da apresentação de um novo plano de segurança e treinamentos emergenciais antes de qualquer possibilidade de reabertura.