A vitória do peronismo nas eleições legislativas da província de Buenos Aires, no último domingo (7) , fortaleceu o nome do governador Axel Kicillof como principal voz de oposição ao governo de Javier Milei e o destacou como possível candidato a presidente em 2027.
Com os 47% dos votos obtidos no domingo pela coalizão de centro-esquerda Força Pátria, Kicillof garantiu a melhor eleição para um partido peronista desde 2005 nas eleições legislativas da província de Buenos Aires.
Mas quem é hoje o principal opositor de Milei na Argentina?
Kicillof nasceu no aristocrático bairro da Recoleta, na capital da Argentina, filho de um psicanalista e de uma psicóloga. Foi educado no sistema público, mas em escolas bem conceituadas.
Cursou o ensino médio no Colégio Nacional de Buenos Aires, uma instituição que desde 1863 forma as elites argentinas.
Depois se formou economista pela Universidade de Buenos Aires (UBA), com doutorado.
Carreira política
Iniciou a carreira política em 2011, quando foi nomeado vice-gerente geral da Aerolíneas Argentinas.
Posteriormente, no início do segundo mandato de Cristina Kirchner como presidente, foi nomeado Secretário de Política Econômica e Planejamento do Desenvolvimento, cargo no qual se envolveu na reestatização da Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF), a primeira grande estatal argentina e maior empresa de energia do país.
Foi nomeado Ministro da Economia em 2013, permanecendo no cargo até o fim do governo Kirchner.
Nas eleições de 2015, foi eleito deputado nacional pela Cidade de Buenos Aires (CABA), representando o partido Frente para a Vitória.
Em 2019, Axel Kicillof foi eleito governador da Província de Buenos Aires, derrotando a então governadora María Eugenia Vidal, o que marcou o retorno do peronismo ao poder na maior província do país.
Foi reeleito e permanecerá no cargo até 2027, ano das eleições presidenciais.
A base dentro do peronismo
Kicillof construiu sua base dentro do peronismo, mas seu distanciamento de Cristina Kirchner
ficou claro quando decidiu descolar as eleições de Buenos Aires das nacionais, uma manobra que simbolizou sua intenção de autonomia frente ao kirchnerismo.
Nos últimos meses, como principal opositor do governo de Javier Milei, tem acusado o presidente, em atos públicos, de adotar um modelo "antiprodutivo", baseado em especulação financeira, desregulação e um câmbio artificialmente barato que, segundo ele, prejudica a indústria e o emprego.
Kicillof é visto como um político que mistura erudição acadêmica com um carisma popular, tendo adotado no governo provincial uma postura para fortalecer o peronismo e criar um plano estratégico que envolve sua possível candidatura presidencial futura.