Os Estados Unidos enfrentaram nos últimos dias uma série de eventos climáticos extremos que chamaram atenção pela intensidade e pelo momento em que ocorreram. Curiosamente, o caos acontece após o corte de uma "mãozinha" brasileira .
A sequência de fenômenos coincide com o anúncio, no dia 9 de julho, de que a Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC), organização brasileira que afirma atuar espiritualmente para equilibrar o clima, suspenderia 50% da “assistência climática” que oferecia gratuitamente aos EUA.
No Texas, chuvas torrenciais provocaram inundações históricas, deixando pelo menos 132 mortos, dezenas de desaparecidos e um rastro de destruição em áreas como a região de Hill Country, às margens do rio Guadalupe.
Já em Washington, D.C., tempestades severas com ventos fortes e alagamentos urbanos fizeram as autoridades emitirem alertas de tornado. Em paralelo, outros estados do sul e centro do país registraram surtos de granizo e tornados que compõem uma das temporadas mais ativas desde 2011.
A decisão da fundação veio em resposta ao novo tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros anunciado pelo presidente Donald Trump . A fundação declarou estar agindo com base no “princípio da reciprocidade”, afirmando que a medida era uma forma simbólica de protesto. A mensagem enviada a Trump terminava com um tom enigmático:
“Receba, senhor presidente Donald Trump, nossa manifestação de paz espiritual”.
O que é a fundação
Fundada em 1931, a FCCC afirma atuar por meio da médium Adelaide Scritori, que, segundo a organização, canaliza o espírito do Cacique Cobra Coral, uma entidade que teria reencarnado anteriormente como Galileu Galilei e Abraham Lincoln.
Ao longo das décadas, a fundação ganhou notoriedade ao afirmar que ajudou a evitar chuvas em eventos como o Réveillon de Copacabana, festividades religiosas e até cerimônias diplomáticas no exterior.
Apesar de ser frequentemente alvo de ceticismo por parte da comunidade científica, a FCCC já firmou parcerias com prefeituras brasileiras e chegou a ter o escritor Paulo Coelho como vice-presidente.
Com os desastres climáticos ocorrendo logo após o corte da assistência, o nome da fundação voltou a circular intensamente nas redes sociais, gerando curiosidade, ironias e teorias.
Embora especialistas atribuam os fenômenos a padrões atmosféricos típicos do verão no Hemisfério Norte, a coincidência de datas alimentou o debate entre misticismo e ciência. O que é certo é que a fundação mais uma vez conquistou espaço no noticiário internacional, desta vez, ligada a uma sequência de eventos que deixou centenas de vítimas e reacendeu a discussão sobre os limites da intervenção humana (ou espiritual) sobre a natureza.