Israel ataca Jihad Islâmica em Gaza na Palestina
Reprodução TV Aljazeera - 06.08.2022
Israel ataca Jihad Islâmica em Gaza na Palestina

Exército de Israel atacou a Faixa de Gaza pelo segundo dia consecutivo neste sábado, afirmando preparar uma "operação de uma semana" contra alvos militares da Jihad Islâmica, na pior escalada de violência desde um conflito de 11 dias em maio do ano passado, que deixou 260 mortos no lado palestino, incluindo combatentes, e 14 mortos em Israel, incluindo um soldado.

Segundo o Ministério da Saúde palestino em Gaza, os ataques deixaram até agora 15 mortos e 125 feridos, incluindo Tayseer al-Jabari 'Abu Mahmud', um dos líderes da Jihad Islâmica, e uma menina de 5 anos. Durante a noite, as forças israelenses prenderam 19 membros do grupo na Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel desde 1967.

Em resposta à ofensiva israelense, a Jihad Islâmica lançou mais de 160 foguetes desde sexta a partir de Gaza, mas a maioria aparentemente caiu em áreas abertas ou foi interceptada pelo sistema de defesa antiaérea israelense Domo de Ferro.

Um dos projéteis atingiu uma casa em Sderot, no sul do país, causando apenas danos materiais, e outro uma comunidade israelense perto da fronteira com Gaza, deixando uma pessoa levemente ferida. Dois soldados israelenses ficaram feridos por explosões de morteiro em uma fazenda comunal perto da fronteira com Gaza, de acordo com o Exército.

Segundo maior grupo militante em atuação no território palestino e considerado terrorista pelos EUA e a União Europeia, a Jihad Islâmica geralmente atua de forma independente do movimento islâmico Hamas, que controla o enclave desde 2007.

Pela manhã, Gaza parecia uma cidade fantasma, com ruas vazias e lojas fechadas. A única central de energia elétrica da Faixa de Gaza foi obrigada a fechar neste sábado por falta de combustível, o que "agravará a situação humanitária", segundo a empresa.

Israel fechou as passagens para mercadorias e pessoas com o território palestino na terça-feira por temer represálias após a detenção de Basem Saadi, um líder do grupo armado palestino, no dia anterior. Os bloqueios reduziram as entregas de diesel necessárias para abastecer a central.

De acordo com o Ministério da Saúde palestino, a falta de energia repercutirá na capacidade de fornecer serviços médicos nos hospitais, com a estimativa de que uma paralisação total ocorra em 72 horas. Além disso, afirmou o ministério, o enclave enfrenta uma escassez de 40% de equipamentos e remédios básicos, além de 60% de falta de equipamentos médicos.

Segundo um porta-voz do Exército israelense, "atualmente não há negociações para um cessar-fogo". A declaração foi dada depois de informações de que o Egito, mediador histórico entre o Estado hebreu e os grupos armados em Gaza, informou que poderia receber uma delegação da Jihad Islâmica . Mas o grupo armado palestino também descartou a possibilidade de cessar-fogo. A organização acusa Israel de ter "iniciado uma guerra".

"O inimigo sionista iniciou esta agressão e deve preparar-se para um combate sem trégua", afirmou em na capital do Irã, Teerã, o secretário-geral da Jihad Islâmica, Ziyad al-Nakhalah.

Israel disse que os bombardeios contra o enclave foram uma ação preventiva para evitar um ataque iminente contra civis israelenses. Na sexta-feira, o premier Yair Lapid, acusou o grupo armado de ser "um representante do Irã que busca destruir o Estado de Israel e matar israelenses inocentes".

Em um comunicado, a Liga Árabe criticou a "feroz agressão israelense". A Jordânia destacou a "importância de acabar com a agressão".
Em 2019, a morte de um comandante da Jihad Islâmica em uma operação israelense provocou vários dias de hostilidades entre o grupo armado e Israel. O Hamas, que enfrentou Israel em quatro guerras desde que tomou o poder no território, permanece à margem dos confrontos.

Mas a decisão que tomar agora será crucial, pois o grupo enfrenta pressões para melhorar as condições econômicas do território. Israel impõe desde 2007 um bloqueio severo da Faixa de Gaza, território de 362 quilômetros quadrados em que moram 2,3 milhões de pessoas, com níveis elevados de desemprego e pobreza.

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