A chanceler Liz Truss e o ex-ministro do Tesouro, Rishi Sunak
Reprodução 20/07/2022
A chanceler Liz Truss e o ex-ministro do Tesouro, Rishi Sunak

A disputa pela liderança do Partido Conservador e, consequentemente, pelo cargo de primeiro-ministro do Reino Unido entrou em sua reta final nesta quarta-feira. Após uma última rodada de votações, os 358 parlamentares conservadores afunilaram os nomes na lista de candidatos à sucessão de Boris Johnson para dois: o do ex-ministro das Finanças Rishi Sunak e da chanceler Liz Truss.

Agora começa a segunda etapa da disputa: os cerca de 150 mil filiados do partido votarão em agosto para escolher entre Sunak e Truss. O vencedor, que herdará um país com a maior inflação desde os anos 1980 e sofre para se adaptar ao divórcio da União Europeia, será conhecido no dia 5 de setembro, ao fim do recesso parlamentar que começa na sexta-feira.

Boris, que permanece no poder interinamente, foi forçado a anunciar sua renúncia no início deste mês, pressionado por meses de escândalos consecutivos que culminaram em uma debandada em massa no governo. Primeiro vieram as denúncias de violações das regras de distanciamento para o controle da Covid-19, no caso conhecido como “partygate”. A gota d'água, contudo, foram acusações de abuso sexual contra integrantes de seu governo.

Sunak, que pode ser a primeira pessoa de origem estrangeira a sentar-se em Downing Street, teve 137 votos na quinta e última rodada de votações, 19 a mais que na rodada anterior. Já Truss conseguiu 113 votos, um aumento de 27 votos que consolidou seu lugar no segundo turno e a deixa perto de ser a terceira primeira-ministra da História britânica, após Margaret Thatcher (1979-1990) e Theresa May (2016-2019).

A dupla disputava com a secretária de Estado do Comércio Exterior, Penny Mordaunt, que chegou a ser cotada como o nome favorito para avançar de fase, mas foi ultrapassada por Truss, a mais continuísta entre o trio. Mordaunt obteve 105 votos, apenas oito a menos que a segunda colocada.

Se o avanço do ex-ministro das Finanças, cuja renúncia catalisou a derrubada de Boris, já parecia certo, Truss se aproveitou de um momento que lhe era favorável. Os aliados de Kemi Badenoch, candidata que foi eliminada na quarta rodada de votação, na terça-feira, foram fundamentais para o triunfo.

Truss esperava que os 59 eleitores da ex-ministra da Igualdade a apoiassem — expectativa que se provou correta já que ela era, de fato, a opção mais natural para os órfãos de Badenoch. Mordaunt chegou a apostar na rejeição ao primeiro-ministro para tentar se promover: disse que ao contrário da chanceler e de Sunak, nunca serviu no Gabinete de Boris.

Ela argumentava que representaria um "novo começo" e chegou a retuitar uma coluna do tabloide Daily Mail cuja manchete dizia que votos em Truss ou no ex-ministro das Finanças significaria "assassinar o partido". Nada disso, contudo, foi suficiente.

Sunak liderou com alguma folga as rodadas de votação parlamentar, mas isso não significa que é o favorito entre os filiados do Partido Conservador. Na terça, uma pesquisa publicada pelo YouGov mostrou que ele perderia tanto para Mordaunt quanto para Truss na votação final.

O ex-ministro das Finanças terá seis semanas de campanha para reverter o cenário. A missão, contudo, não é das mais fáceis para o descendente de indianos que se formou na Universidade de Oxford: precisará convencer um eleitorado cujo sentimento anti-imigração foi, há seis anos, um dos elementos-chaves por trás do voto do bloco europeu.

O assunto perdeu força nos últimos anos, mas continua a ter peso para parcelas da população que, em 2019, deram a Boris um mandato claro para pôr um fim à novela do Brexit. Nesta quarta, o premier compareceu ao Parlamento pela última vez em seu mandato, já que seu sucessor já terá sido escolhido quando os parlamentares voltarem do recesso.

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