Pessoas protestam no Reino Unido com cartazes
Reprodução/Flickr Reggie McLarhan - 07.06.2022
Pessoas protestam no Reino Unido com cartazes

Mesmo após uma onda de renúncias tomar o governo do Reino Unido, com no mínimo 17 demissões de ministros e secretários desde ontem, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, prometeu nesta quarta-feira permanecer no cargo, alegando ter um apoio “colossal”.

O premier compareceu ao Parlamento na manhã desta quarta-feira, para uma sessão regular de perguntas e respostas com os integrantes do Legislativo, e se manteve desafiador, embora sob forte pressão dos legisladores.

Perguntado pelo deputado conservador Tim Loughton se acreditava haver alguma circunstância na qual um premier deve renunciar, Boris respondeu:

"O trabalho de um primeiro-ministro em circunstâncias difíceis, quando lhe foi entregue um mandato colossal, é continuar. É isso que vou fazer."

As demissões começaram na terça-feira à noite, quando dois dos funcionários mais experientes do governo, o ministro do Tesouro, Rishi Sunak, e da Saúde, Sajid Javid, pediram demissão, alegando que Johnson perdera a capacidade de liderar o governo.

Desde então, as demissões continuaram, entre ministros, ministros-adjuntos e secretários. Entre os nomes que se somaram à debandada nesta quarta-feira estão a ministra da Justiça, Victoria Atkins, que disse em sua carta pública de demissão que não pode “mais fazer piruetas em torno de nossos valores fraturados”, o ministro para as Crianças, Will Quince, e o das Escolas, Robin Walker.

Boris, no entanto, ainda conta com o apoio de membros influentes do governo, como a ministra de Relações Exteriores, Liz Truss, o ministro de Defesa, Ben Wallace, e o ministro dos Negócios, Kwasi Kwarteng. Ontem, ele indicou Nadhim Zahawi para assumir a pasta do Tesouro.

O demissionário Javid — que, assim como Sunak, é cotado para assumir a liderança conservadora caso Boris deixe o cargo — fez um discurso no Parlamento hoje.

Ele disse “instituições e integridade” sustentam a democracia britânica, e que sempre se considerou um "jogador de equipe".

"Mas pisar na corda bamba entre lealdade e integridade tornou-se impossível nos últimos meses. E nunca correrei o risco de perder minha integridade."

Javid disse que a "filosofia do Partido Conservador está em jogo".

"Os valores conservadores estão em risco", afirmou.

Boris sobreviveu a um voto de desconfiança do Partido Conservador no começo de junho, conquistando 59% dos votos a seu favor. De acordo com as regras partidárias, quando sobrevivem a uma destas votações, os líderes do partido não podem ter o cargo posto à prova de novo durante um ano

Muitos conservadores, no entanto, estão pedindo a mudança das regras partidárias, para acabar com essa imunidade. Nesta manhã, mais dois parlamentares do partido pediram uma mudança nas normas, para Boris passar por novo voto de desconfiança.

As duas demissões na terça-feira aconteceram minutos depois de o primeiro-ministro pedir desculpas por indicar o deputado Chris Pincher para um cargo no governo, mesmo tendo sido avisado de denúncias de comportamento sexual impróprio em 2019.

Pincher, que tinha o cargo de vice-chefe do governo no Parlamento e está suspenso desde a semana passada, enquanto ocorre uma investigação independente, atualmente enfrenta seis acusações de comportamento sexual impróprio, incluindo a bolinação de homens. O primeiro-ministro admitiu que cometeu um “erro grave” ao não ter tomado nenhuma ação mesmo sendo avisado sobre uma denúncia.

Na sessão desta quarta-feira, o líder trabalhista Keir Starmer leu o testemunho de um homem que acusou o ex-ministro conservador de agressão sexual. Geralmente movimentado, o Parlamento ficou em silêncio para ouvir a denúncia.

"Eu entendo que não é algo fácil de ouvir, mas esse é um lembrete para todos aqueles que apoiam este primeiro-ministro do quão grave é esta situação", afirmou.

Boris respondeu que, quando recebeu a informação da denúncia, agiu imediatamente".

O caso de Pincher veio se juntar ao escândalo conhecido como "partygate", de festas que ocorreram na sede do governo britânico quando o país estava em quarentena por causa da Covid-19.

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