Gustavo Petro e Rodolfo Hernández disputarão o segundo turno das eleições colombianas
Reprodução/Twitter
Gustavo Petro e Rodolfo Hernández disputarão o segundo turno das eleições colombianas

Com 99% das urnas apuradas na Colômbia, o ex-guerrilheiro e esquerdista Gustavo Petro e o direitista Rodolfo Hernández vão disputar o segundo turno, no próximo dia 19 de junho. Com um discurso de populista e antissistema , o engenheiro e ex-prefeito, de 77 anos, foi a grande surpresa, desbancando o candidato da centro-direita Federico Gutiérrez, e deixando, pela primeira vez, partidos tradicionais fora do segundo turno.

O resultado é o pior cenário para Petro, favorito e ex-prefeito de Bogotá, que esperava disputar o segundo turno com Gutiérrez. No novo cenário, Hernández poderia atrair votos de todos os demais candidatos, incluindo de eleitores que rejeitam Petro por seu passado guerrilheiro, mas são contra o sistema atual.

Petro, que depôs as armas em 1990, após a desmobilização do M-19, grupo rebelde nacionalista do qual foi membro por 12 anos, votou pela manhã, em um bairro popular de Bogotá. Ele obteve mais de 40% dos votos.

"Estamos representando a vontade de mudança. Estou confiante de que essa vontade de mudança será a maioria", disse o candidato.

Hernández conseguiu 28,20% dos votos, quase cinco pontos percentuais a mais que o ex-prefeito de Medellín Federico Gutiérrez, que obteve 23,80% e era considerado favorito para disputar o segundo turno. O pleito é considerado por analistas um dos mais importantes dos últimos 30 anos. Atrás de Gutiérrez, segundo as pesquisas, ainda aparecia o centrista Sergio Fajardo, em terceiro lugar, e que tinha a preferência do eleitorado mais urbano. Ele ficou com apenas 4,20%.

"Fizemos uma campanha histórica, na qual o povo colombiano esteve na vanguarda desta epopeia democrática. Conseguimos um resultado histórico, um resultado que abalou as bases do poder corrupto de todos os governos recentes", disse o candidato após conhecer os resultados. "Não sou ingênuo sobre a resistência que haverá contra o governo determinado a acabar com a politicagem e a corrupção, especialmente por alguns que se sentiram donos deste país. Mas estou ciente de que será o povo colombiano (...) que construirá a vitória no segundo turno".

Nas últimas semanas, Hernández disparou nas pesquisas, chegando, em algumas sondagens, a empatar com Gutiérrez. O engenheiro e empresário concorre como candidato independente e ficou conhecido por seus vídeos excêntricos nas redes sociais, em que aparece cantando e andando de skate, além do forte discurso contra a corrupção. Neste domingo, o candidato publicou um vídeo em que aguardava os resultados em traje de banho e bebendo cerveja no pátio de sua mansão.

Apesar do discurso, o empresário enfrenta uma investigação por supostamente ter intervindo, quando era prefeito, na contratação de uma empresa de uma gestão de lixo que beneficiaria um de seus filhos. Ele nega as acusações.

Já Gutiérrez, ex-prefeito de Medellín, era a grande esperança da direita na cruzada para impedir que a esquerda chegue pela primeira vez ao poder. Aos 47 anos, o candidato tinha o apoio de partidos tradicionais, entre eles o Partido Liberal, da grande maioria dos empresários e de eleitores mais conservadores.

O resultado indica ainda uma forte rejeição aos partidos tradicionais, representados pelos ex-presidentes Juan Manuel Santos e Álvaro Uribe, forças políticas que nas últimas duas décadas governaram o país.

Petro, grande favorito, disputa pela terceira vez a Presidência da Colômbia. O ex-prefeito de Bogotá e ex-senador do esquerdista Pacto Histórico, de 62 anos, está em campanha desde que perdeu o segundo turno das presidenciais de 2018 contra o atual presidente, Iván Duque.

Seus opositores questionam seu passado guerrilheiro e sua antiga amizade e aliança com o chavismo. Suas propostas estão centradas numa forte mudança do sistema econômico, incluída uma reforma agrária, renegociação de tratados de livre comércio, aposta por uma economia verde (mudança de matriz energética) e legalização das drogas, entre outras iniciativas.

A chuva ofuscou o início do dia em Bogotá e os eleitores foram aos centros de votação fortemente vigiados por cerca de 300 mil militares e policiais. A abstenção, que em geral gira em torno de 50%, aumentou ainda mais por ser feriado.

Entre no  canal do Último Segundo no Telegram e veja as principais notícias do dia no Brasil e no Mundo. Siga também o perfil  geral do Portal iG.

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários