Declaração de Obrador refere-se à decisão dos EUA de não convidar Cuba para Cúpula das Américas
Reprodução: Flickr - 28/04/2022
Declaração de Obrador refere-se à decisão dos EUA de não convidar Cuba para Cúpula das Américas

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, reforçou seus ataques à decisão, ainda não oficializada, dos EUA de não convidar representantes de Cuba , Venezuela e Nicarágua para a Cúpula das Américas, reunião prevista para junho em Los Angeles, e chamou de "política genocida" o embargo americano imposto a Havana desde os anos 1960.

“Por que esse isolamento? É uma política genocida, e diria que ela lhes faz parecerem ruins”, disse Obrador, em sua entrevista coletiva diária, na Cidade do México. 

“Gostaria que não houvesse bloqueio, porque é uma política medieval, não tem a ver com nosso tempo e com a irmandade que deve haver entre nossos povos, e com a fraternidade universal.”

O embargo econômico a Cuba foi adotado em fevereiro de 1962, pelo então presidente John Kennedy, se tornando o mais longevo regime de restrições comerciais da História moderna. Ao longo das décadas, passou por momentos de acirramento, como nos anos 1990, e distensão, como no governo de Barack Obama, que chegou a visitar a ilha. 

Seu sucessor, Donald Trump seguiu pelo caminho inverso, e apertou o cerco a Havana, uma política que acabou sendo seguida pelo democrata Joe Biden, pelo menos até esta semana, quando anunciou algumas ações para flexibilizar as restrições.

Apesar de dizer que sua postura não visa produzir "uma ruptura com Washington", ele confirmou que não participará da reunião caso os três países não sejam convidados, uma postura que é compartilhada pelo presidente da Bolívia, Luis Arce. 

Nas últimas semanas, Obrador vem intensificando seu apoio a Havana, e chegou a anunciar a contratação de mais 500 médicos cubanos.

O impasse envolvendo um país central na pauta de discussões prevista para o encontro, que deve priorizar a imigração, já provoca movimentações em Washington para evitar um esvaziamento da reunião — na quarta-feira, uma missão dos EUA deve chegar ao México para uma série de reuniões, e o chanceler, Marcelo Ebrard, deve conversar com o secretário de Estado, Antony Blinken.

Desde abril, comentários do subsecretário de Estado dos EUA para o Hemisfério Ocidental, Brian Nichols, apontando que os governos de Cuba, Venezuela e Nicarágua não seriam convidados para a cúpula em Los Angeles vem provocando críticas em toda a região, além de promessas de boicote, como a de Obrador, que anunciou que será representado por seu chanceler, e da Bolívia, cujo presidente, Luis Arce, disse que também não viajará para o encontro. 

Um tom abaixo, Argentina, Chile e Honduras também criticaram a postura americana — oficialmente, a Casa Branca diz que ainda não definiu a lista de convidados.

Hoje, Washington não reconhece o governo de Nicolás Maduro na Venezuela, acusado de seguidas violações dos direitos humanos, reprimir a oposição e de fraudar processos eleitorais no país, incluindo o que lhe deu mais um mandato, em 2018. 

Contudo, nesta terça, Washington confirmou que iria flexibilizar algumas das medidas, em resposta a iniciativas para a retomada do diálogo entre o governo e a oposição, incluindo no setor petrolífero.


Sobre a Nicarágua, o próprio Nichols afirmou, em abril, que o país "deixou de ter qualquer semelhança com uma democracia depois de uma eleição fraudada". Ele se referia ao contestado processo eleitoral no país, marcado por prisões de opositores, aparelhamento da Justiça e uma vitória esperada de Daniel Ortega, que não foi reconhecido por Washington.

No caso cubano, Washington também anunciou, na segunda-feira, a flexibilização de restrições impostas pelo ex-presidente Donald Trump, incluindo ações em processos de imigração, de transferência de dinheiro e de voos. 

Segundo um funcionário do governo americano, o anúncio em meio às ameaças de boicote foi "uma coincidência", e que essas "medidas políticas foram trabalhadas há muito tempo e são consideradas completamente isoladas da conversa sobre quem participa ou não da cúpula."

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*Com informações de agências internacionais

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