Presidente da Finlândia, Sauli Niinisto e a primeira-ministra, Sanna Marin
Reprodução/Flickr FinnishGovernment - 24.02.2022
Presidente da Finlândia, Sauli Niinisto e a primeira-ministra, Sanna Marin

Lideranças da Suécia e da Finlândia apresentarão, nesta quarta-feira, suas candidaturas formais a uma cadeira na Otan , em um dos principais impactos políticos da invasão russa da Ucrãnia. A decisão, que muda uma postura histórica das duas nações sobre suas neutralidades militares, já possui o apoio de praticamente todas as nações da aliança, mas a objeção da Turquia pode atrasar ou mesmo, em último caso, inviabilizar o processo.

No caso finlandês, a oficialização veio após uma já esperada vitória do governo no Parlamento, que passou a medida por 188 votos a favor, oito contra e nenhuma abstenção.

"É um resultado excepcional, não esperava que fosse tão claro. A votação é clara, não há mais discussões, hoje à noite [terça-feira] vamos assinar nossa carta de candidatura à Otan", disse o ministro das Relações Exteriores da Finlândia, Pekka Haavisto.

A decisão ocorreu um dia depois do Parlamento sueco também dar sinal verde à adesão, cujo formulário foi assinado nesta terça-feira pela chanceler Ann Linde, em cerimônia em Estocolmo. A expectativa é de que os dois governos apresentem suas candidaturas nesta quarta-feira, em Bruxelas, onde fica a sede da Otan.

"Estou feliz que tenhamos tomado o mesmo caminho e que possamos fazê-lo juntos", disse a repórteres o presidente finlandês, Sauli Niinsto, em entrevista coletiva ao lado da premier sueca, Magdalena Andersson."Se você tem um processo rápido aqui, isso ajuda a todo o processo e os prazos desse processo.Isso é muito importante neste contexto."

Contudo, os dois países devem enfrentar oposição da Turquia, que acusa os governos de abrigarem integrantes de organizações consideradas terroristas por Ancara, como o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e apoiadores de Muhammed Fethullah Gülen, líder do chamado Movimento Gulenista e apontado pelos turcos como responsável pela tentativa de golpe de 2016.

Na entrevista coletiva, a premier sueca afirmou que pretende resolver qualquer problema que impeça o apoio de Ancara às candidaturas: no caso específco da Suécia, os turcos reclamam de um embargo imposto por Estocolmo à venda de determinados itens de defesa, uma medida relacionada à ofensiva militar do país no Norte da Síria, em 2019.

"Estamos buscando contato com a Turquia e estamos preparados para viajar à Turquia para discutir e acertar questões em aberto que possam existir", afirmou.

Na segunda-feira, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que os diplomatas suecos não precisam se incomodar em ir até a Turquia, e reiterou que não apoiará a entrada dos países na Otan.

"Nós não diremos sim a um país que impõe sanções à Turquia para que se junte à Otan", disse o presidente, em Ancara. "Eles [diplomatas suecos] virão à Turquia na segunda-feira. Eles virão nos convencer? Me perdoem, mas eles não deveriam nem se cansar."

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*(com informações de agências internacionais)

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