Transnistria: área separatista ganha protagonismo na guerra da Ucrânia
Reprodução/Segredos do mundo 26.4.2022
Transnistria: área separatista ganha protagonismo na guerra da Ucrânia

A guerra entre a Rússia e a Ucrânia ganhou novos contornos por conta da recente investida russa em dominar de vez a  região da Transnístria, área separatista da Moldávia que tem um estreito laço com Moscou. O domínio da região é de extrema importância para os russos, uma vez que a Transnístria faz fronteira com a Ucrânia pelo lado oeste do país e pode ser decisiva para o conflito territorial.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, já chegou a culpar os serviços de segurança russos pelas  recentes explosões na Transnístria, dizendo que Moscou está tentando desestabilizar a região e arrastar outros países para a guerra. Já a Transnístria acusa os ucranianos de terem bombardeado a região.

A Transnístria, cujo nome significa "além do rio Dniestre", é uma região situada dentro das fronteiras da Moldávia, embora tenha, unilateralmente, declarado sua independência em 1992 com a ajuda de contingentes russos. Atualmente, a região é governada por separatistas pró-Rússia. O Conselho da Europa considera a questão da Transnístria um conflito congelado até os dias de hoje. 

A área compreende uma faixa estreita de terra com cerca 3.490 quilômetros quadrados, situada entre a Ucrânia e o restante da Moldávia. Lá, habitam cerca de meio milhão de pessoas, a maioria das quais fala russo e se identifica com a cultura russa.

A Moldávia se proclamou independente no ano início da década de 1990, porém, a Transnístria se recusou a integrar o novo país e autoproclamou-se independente. Apesar da região não ser ainda reconhecida como um país próprio, a Transnístria se apresenta como um país independente, com hino, bandeira, governo, constituição, feriados, moeda e economia próprias, sendo, na verdade, um resquício da antiga União Soviética.

Segundo a diretora jurídica da LAW 360º, Carolina Ramos, a importância do território para os russos diz respeito, principalmente, para dominar a região sul da Ucrânia, que até o momento não está cedendo como os russos esperavam. 

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A especialista diz ainda que o fator histórico, por conta da estreita ligação cultural entre o povo da Transnístria e da Rússia, ajuda no uso da área para o conflito. “A Rússia planeja aproveitar sua posição estratégica para estabelecer um corredor terrestre ao longo do Mar Negro para capturar a cidade portuária de Odesa, na Ucrânia”, afirma.

E completa: “Por questões estratégicas, a Transnístria terá o apoio da Rússia para ser reconhecida como independente da Moldávia. Segundo o general russo Rustam Minnekaiev, o controle do sul da Ucrânia deve permitir que seja fornecida ajuda aos separatistas da Transnístria”.

Para Igor Gadelha, economista e doutor em relações internacionais, “o plano inicial da Rússia era dominar toda a Ucrânia, mas como isso está sendo muito difícil de conseguir, eles partiram para o plano B, que é dominar Lugansk e Donetsk, toda a região do Donbass, que é o leste ucranino, isso desce até a região da Crimeia, que já foi anexada”.

“Ao sul, tem a área de Odessa, que talvez a Rússia não consiga dominar, então essa região ficaria em uma espécie de enclave. O domínio russo iria até o oeste da Ucrânia para dominar de fato a região da Transnístria", completa o especialista.

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