Rússia busca impor maior sigilo sobre perdas na guerra
Yan Boechat/O Globo - 14.03.2022
Rússia busca impor maior sigilo sobre perdas na guerra


O Ministério da Defesa da Rússia  propôs que parentes de soldados mortos na Ucrânia tenham que solicitar às autoridades militares, e não civis, o pagamento de indenizações, impondo um nível extra de sigilo sobre suas perdas de guerra — cujo total é um dos mistérios do conflito iniciado em 24 de fevereiro.

A Rússia já classifica as mortes militares como segredos de Estado mesmo em tempos de paz e não atualiza seus números oficiais de baixas na Ucrânia há quase quatro semanas.

Em sua nova proposta, o Ministério da Defesa pediu que os benefícios pagos às famílias dos soldados mortos não fossem mais supervisionados por oficiais civis, mas sim administrados por escritórios de alistamento. Essa medida foi projetada para "limitar o círculo de pessoas" com informações sobre tropas russas mortas na Ucrânia, disse a pasta.

A proposta apareceu em um site de informações legais do governo. Não estava claro, porém, quando seria revista ou imposta pelo governo.


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A última vez que Moscou informou o número de baixas no conflito foi há quase um mês, em 25 de março, quando o Estado-Maior disse que 1.351 soldados russo morreram no que chama de "operação militar especial" na Ucrânia.

Apesar de Moscou admitir "perdas significativas" — sem detalhar quantas —, o governo russo não atualiza o número de baixas frequentemente. Além disso, as estimativas da Rússia destoam muito dos apresentados pela Ucrânia e seus aliados. Na última estimativa das Forças Armadas ucranianas, nesta quarta, Kiev disse que aproximadamente 20.900 soldados russos morreram na guerra.

A própria Ucrânia não divulga frequentemente o número de soldados mortos e dá estimativas bem menores que a Rússia. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse na semana passada que estima entre 2.500 e 3 mil mortes. Há um mês, porém, Moscou afirmou que já havia matado pelo menos 14 mil combatentes ucranianos.

Fora as informações provenientes de Moscou e de Kiev e seus aliados, não há nenhum levantamento independente e confiável sobre o número de baixas até o momento. A ONU publica uma estimativa diária de baixas civis, admitindo que "os números reais são consideravelmente maiores". Até esta quarta, já foram mortos 2.224 civis, de acordo com a organização.

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* Com informações de agências internacionais

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