Moradora ucraniana tapa o rosto junto de uma criança
Reprodução/Ansa - 19.04.2022
Moradora ucraniana tapa o rosto junto de uma criança

Um grupo de "mães, esposas e filhos dos defensores de Mariupol" enviou uma carta ao papa Francisco pedindo ajuda para que ele use sua influência para acabar com a guerra na Ucrânia. O documento foi entregue por meio do cardeal Michael Czerny, que relatou o conteúdo para a mídia nesta terça-feira (19).

Segundo os cidadãos, em  Mariupol se vive como se estivesse em uma "armadilha mortal" e o líder católico é visto como "o último baluarte de esperança".

"A carta evidencia o que o Papa tem dito desde o início, especialmente durante o Urbi et Orbi de Páscoa, quando falou claramente da irracionalidade total da guerra", explica ainda Czerny.

Além da mídia vaticana, o canal ucraniano "UaTV-Channel" divulgou as cerca de duas páginas da carta onde é relatado que Mariupol foi "reduzida a cinzas" e que está sob ataque "24 horas por dia". Os moradores afirmam que a localidade é "o epicentro de uma catástrofe humanitária sem precedentes na Europa do século 21" e que isso "mostra mais uma vez a inadmissibilidade do assédio à cidade" com seus "ataques indiscriminados".

"Santo Padre, é ainda possível ajudar os que sofrem, mesmo que o número de quem não consegue sobreviver aumenta a cada dia", diz outro trecho do documento.

As mulheres e os filhos dos combatentes informam ainda que há centenas de feridos entre civis e militares e que eles não conseguem receber nenhum tipo de ajuda porque não existe mais nenhum tipo e remédio ou de produtos para desinfetar as feridas "e que eles precisam ser evacuados do campo de batalha".

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Esse é o segundo documento do tipo enviado para o líder católico em menos de dois dias. Antes, o major Sergiy Volyna, comandante da 36ª brigada de fuzileiros navais ucranianos, também enviou uma carta a Francisco dizendo que "só as orações não bastam mais" e que a cidade é um "inferno" na terra.

O Papa tem feito recorrentes apelos para que a Rússia pare com os ataques na Ucrânia tanto em celebrações religiosas como em encontros com líderes mundiais. Nos bastidores, o Vaticano inclusive trabalha em uma visita do Pontífice a Kiev.

Já Mariupol é uma cidade portuária que já está praticamente tomada pelos russos depois de mais de 50 dias de guerra, com cerca de 90% de seus prédios e residências destruídos. Há apenas um ponto de resistência ucraniana no momento e cerca de 100 mil civis presos dentro do território.

Localizada no Mar de Azov, a cidade tem tanto uma importância estratégica por estar entre a península da Crimeia, anexada unilateralmente pelos russos em 2014, e as áreas separatistas pró-Rússia no Donbass, como simbólica, já que é um dos maiores portos ucranianos.

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