Marina Ovsyannikov protestou contra a guerra entre a Rússia e a Ucrânia durante transmissão de um jornal russo
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Marina Ovsyannikov protestou contra a guerra entre a Rússia e a Ucrânia durante transmissão de um jornal russo

Marina Ovsyannikova, que ficou conhecida mundialmente após invadir um telejornal russo em protesto contra a guerra na Ucrânia, foi contratado pelo jornal alemão Die Welt.

Marina foi detida e condenada a pagar 30 mil rublos (R$ 1.430) por violar atos relativas a "eventos públicos não autorizados", mas ainda pode ser condenada à prisão já que o caso ainda não foi encerrado. Ela ainda está sujeita a punições mais duras, previstas em uma lei adotada pelo Kremlin contra "desinformação" ligada ao conflito.

Apesar do risco de mais sanções, a jornalista de 43 anos decidiu permanecer na Rússia e vai trabalhar como correspondente freelancer para a publicação alemã.

Em comunicado, ela disse que assumiu o novo cargo porque o jornal "representa o que está sendo defendido com tanta veemência pelas pessoas corajosas na Ucrânia: a liberdade".

Relembre o caso

Conforme a jornalista independente Farida Rustamova, Marina trabalhou por muitos anos como editora no departamento internacional da diretoria de programas de informação do Canal Um e tinha como principal tarefa traduzir o discurso direto de políticos estrangeiros, empresários e personalidades para o russo.

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Na terceira semana de guerra na Ucrânia, ela entrou no estúdio de um telejornal com um cartaz onde se liam frases como "não acreditem na propaganda" e "eles estão mentindo para vocês". O microfone da apresentadora ainda captou seus gritos de "parem a guerra".

Na época do protesto, colegas se disseram surpresos com o ato, porque nunca ouviram Marina falar de política. Antes do protesto, ela gravou uma mensagem em vídeo na qual disse que seu pai é ucraniano e a mãe é russa. Ressaltou ainda que tinha vergonha de ter participado da "propaganda" em apoio ao governo feita pela emissora ao longo dos anos.

"Infelizmente, tenho trabalhado no Canal Um nos últimos anos, trabalhando na propaganda do Kremlin. E agora estou muito envergonhada. Tenho vergonha de ter permitido que as mentiras fossem ditas nas telas da TV. Tenho vergonha de ter deixado o povo russo se tranformar em zumbis", ressaltou.

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