Trump disse que também teria marchado até o Capitólio
Reprodução/Twitter
Trump disse que também teria marchado até o Capitólio


O ex-presidente dos EUA, Donald Trump , afirmou que queria ter marchado com seus apoiadores ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 e defendeu suas ações no dia, quando milhares de pessoas invadiram a sede do Congresso americano em uma tentativa de reverter a derrota eleitoral de Trump contra Joe Biden após ouvirem um discurso inflamado do ex-presidente, que alegou falsamente que as eleições foram fraudadas. Houve pelo menos sete mortes relacionadas ao ataque.

Em entrevista ao jornal Washington Post, o ex-presidente afirmou que sua equipe de segurança o impediu de marchar ao Capitólio com os apoiadores.

“O Serviço Secreto me disse que eu não poderia ir. Eu teria ido lá em um minuto”, disse Trump, acrescentando que aquela fora a maior multidão com quem ele já falou.

Não ficou claro, porém, se essa teria sido uma tentativa de acalmar a multidão ou apenas de acompanhá-la. Naquele dia, o ex-presidente demorou três horas para publicar um vídeo solicitando seus apoiadores a retornarem para casa, após ser convencido por deputados e parentes.

Na entrevista, Trump não se arrependeu por incitar a multidão, relembrando que pediu para a multidão marchar ao Capitólio "de forma pacífica e patriótica". No entanto, o ex-presidente também afirmou a seus apoiadores que eles "nunca irão recuperar seu país com fraqueza" e que "se vocês não lutarem para valer, vocês não terão mais um país".

O republicano ainda responsabilizou a presidente da Câmara dos Deputados, a democrata Nancy Pelosi, por não encerrar o motim.

“Achei uma pena e fiquei perguntando: "por que ela não está fazendo algo a respeito? Por que Nancy Pelosi não está fazendo algo a respeito? E a prefeita de Washington [a democrata Muriel Bowser] também. A prefeita de Washington e Nancy Pelosi estão no comando", disse Trump ao Washington Post. 

“Eu odiei ver isso. Eu odiava ver isso. E eu disse: ‘isso tem que ser resolvido’. E presumi que elas estavam cuidando disso.”

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Apesar da alegação de Trump, Pelosi — que foi levada a um local seguro no dia, enquanto apoiadores de Trump invadiam sua sala e afirmavam que iriam machucá-la — não tem controle total sobre a polícia do Capitólio. A maioria das decisões de segurança na sede do Congresso são tomadas por um conselho policial.

Uma comissão da Câmara dos Deputados investiga o papel de Trump na invasão. O ex-presidente disse que não foi contatado pela comissão e que não sabe o que faria se fosse. "Depende do pedido", disse ele, acrescentando que não destruiu os registros telefônicos daquela tarde e não utilizou "telefones descartáveis".

Há, no entanto, uma lacuna inexplicável de mais de sete horas no registro de telefonemas do ex-presidente. Trump disse que não se lembra de ter recebidos muitas ligações naquele dia.

Na entrevista, Trump também criticou a Otan, a aliança militar do Ocidente liderada pelos EUA, por não fazer mais para ajudar a Ucrânia após a invasão russa, embora tenha questionado a eficácia e a necessidade da aliança durante seu mandato.

Trump disse que não falou com Vladimir Putin desde que deixou o cargo e defendeu seus elogios ao presidente russo como "gênio" e "muito experiente", dizendo que achava que Putin estava usando uma estratégia de negociação ao acumular tropas na fronteira com a Ucrânia antes da guerra e que ele " exagerou na mão” com a invasão.

Ele novamente não deixou claro se irá concorrer novamente à Presidência em 2024, mostrando dúvidas de que outros potenciais candidatos do Partido Republicano, como seu ex-vice-presidente Mike Pence, o governador da Flórida Ron DeSantis e seu o ex-secretário de Estado Mike Pompeo concorreriam contra ele.

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* Com informações de agências internacionais

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