Jin Hongjun, encarregado de negócios da Embaixada da China no Brasil
Reprodução 25.03.2022
Jin Hongjun, encarregado de negócios da Embaixada da China no Brasil

Há um mês, o mundo assiste ao conflito bélico entre a Rússia e a Ucrânia. Nesse período, não apenas as relações entre os países foi afetada, mas também os vínculos deles com outras nações. A China e o Brasil, duas grandes potências que se aproximam da Rússia pelo BRICS, têm mostrado pontos de vista semelhantes quanto à guerra.

Em entrevista ao jornal "O Globo", o encarregado de negócios da Embaixada da China, Jin Hongjun, falou sobre a situação no leste europeu e ressaltou as semelhanças entre os posicionamentos do Brasil e da China sobre o conflito.

"O Brasil é um país soberano e independente e nós respeitamos plenamente sua posição. Em relação à crise ucraniana, devo dizer que nossos dois países compartilham posições semelhantes ou idênticas", explica Jin Hongjun.

Segundo o representante chinês, ambos os países defendem o diálogo para um acordo de paz, se solidarizam à Ucrânia e repudiam a aplicação de sanções econômicas ao país de Vladimir Putin. Mesmo se assemelhando quanto ao conflito no leste europeu, ambos os países tem votado de forma diferente na ONU e em fóruns como os Brics.

Quando questionado sobre os motivos da China ão ter condenado a invasão russa ao país comandado por Volodimyr Zelensky, Hongjun afirmou que é preciso voltar o olhar para decisões que resolvam o problema verdadeiramente. "Obviamente, a condenação e as sanções não têm esse efeito. Quanto mais complicada a situação, mais importante é manter a calma e a razão, priorizando o cessar-fogo entre as partes", disse. Ele ainda afirmou que a China defende o respeito pela soberania e a integridade territorial de todos os países, assim como os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas devem ser cumpridos.

A China é um dos países que integram o Conselho de Segurança da ONU. Esse papel traz consigo inúmeras responsabilidades, sobretudo em momentos como o atual, que colocam questões humanitárias em risco. Segundo Hongjun, enquanto membro e país responsável do comitê, a China "vem fazendo todo o possível para trazer as partes à mesa de diálogo e negociações".

"No primeiro momento do conflito, a China já propôs à Rússia iniciar conversações de paz com a Ucrânia (...) . Ao mesmo tempo, a China acompanha de perto a situação humanitária na Ucrânia, apresentou iniciativas relevantes e tomou medidas concretas nesse sentido. A Cruz Vermelha da China está enviando ajuda humanitária de emergência à Ucrânia, os suprimentos estão chegando às mãos de refugiados. Novas remessas serão enviadas conforme as necessidades."

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Recentemente, o Brasil foi o único país do Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) que deu um voto favorável à decisão de condenar os ataques à Ucrânia pela Rússia. Todos os outros membros do bloco se abstiveram. Sobre isso, Hongjun diz que "os membros do Brics têm posições semelhantes sobre a crise Rússia-Ucrânia, isto é, defender o princípio do respeito à soberania, independência e integridade territorial de todos os países, apoiar a manutenção do ímpeto das conversações de paz em busca da resolução de disputas através do diálogo e das negociações."

Ele ainda afirma que a China continuará a se comunicar intensamente com o Brasil sobre "a salvaguarda conjunta da paz, da segurança, da justiça e da equidade no mundo, a defesa do multilateralismo e a recuperação estável da economia mundial."

Quanto às sanções impostas à Rússia, sobre as quais o Brasil já se posicionou contra, Hongjun diz que "a China sempre se opõe às sanções unilaterais que não tenham fundamento no direito internacional, nem o aval do Conselho de Segurança."

"A história tem mostrado em repetidas ocasiões que sanções abusivas são como tentar apagar fogo com lenha, ou seja, em vez de resolver o problema, pioram os conflitos. Os Estados Unidos e a Europa estão impondo à Rússia sanções abrangentes e extremas sem precedentes, que ainda se agravam e se expandem. A essência desta ação é tornar a globalização uma "arma", o que terá severos impactos nas finanças, na energia, nos transportes e nas cadeias de suprimentos do mundo, prejudicando a recuperação da economia global e trazendo danos a todos os povos", explica.

Sobre o suposto apoio militar ou econômico da China à Rússia, o representante nega qualquer envolvimento dos países e afirma que a China sempre se posicionou de forma "objetiva e imparcial".

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