Ministro da Defesa da Rússia, Sergey Shoigu, e presidente russo, Vladimir Putin
Gabinete de Imprensa e Informação Presidencial/Kremlin - 24.03.2022
Ministro da Defesa da Rússia, Sergey Shoigu, e presidente russo, Vladimir Putin

O ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, voltou a ser visto na imprensa oficial russa depois de quase dois semanas de uma "ausência" que, embora tratada pelo Kremlin como algo usual, provocou uma onda de especulações sobre sua saúde e sobre seu status dentro do governo — afinal, Shoigu é considerado um dos ministros mais próximos de Putin, e chegou, no passado, a ser cogitado como um eventual sucessor à frente do Kremlin.

Segundo o secretário de Imprensa, Dmitry Peskov, Shoigu participou de uma reunião do Conselho de Segurança da Rússia, presidida por Putin, via teleconferência, para tratar do andamento da invasão da Ucrânia, ou, como prefere o governo russo, "operação militar especial".

"O ministro da Defesa [Sergei] Shoigu informou sobre o progresso da operação militar especial, bem como sobre os esforços militares em andamento para fornecer assistência humanitária, garantir a segurança e restaurar a infraestrutura vital nos territórios libertados" disse Peskov, citado pela Interfax. "Houve conversa detalhada foi sobre o processo de negociação com a Ucrânia , e eles expressaram críticas devido à lentidão do lado ucraniano."

Nas imagens divulgadas pelo Kremlin, o ministro é visto no canto superior esquerdo do monitor usado pelo presidente para visualizar todos os participantes, e não foram reveladas declarações de Sergei Shoigu, ministro da Defesa desde 2012, e que, ao menos nos dias e semanas que antecederam o conflito, assim como em sua fase inicial, era frequentemente citado na imprensa oficial.

Contudo, como apontou na terça-feira o jornalista Dmitry Treschanin, do site Mediazona, desde o dia 11 de março não eram publicadas notícias sobre ele, seja na forma de declarações ou participação em eventos.

"Escutem, o grande ministro das relações públicas Shoigu está longe dos olhares públicos desde o dia 11 de março. ONZE DIAS DE GUERRA, e nós não temos um chefe do Ministério da Defesa. Ele está em Chernobaevka?", escreveu Treschanin, em publicação no Twitter, se referindo a uma cidade ucraniana na região de Kherson, cenário de intensos combates.

Em análise realizada pelo site Agência, no dia 11 de março Shoigu participou de uma entrega de prêmios a militares e conversou com o homólogo turco, Hulusi Akar, por telefone. No dia 18 de março, o site do Kremlin publicou uma nota sobre reunião do Conselho de Segurança que teria contado com a participação do ministro, mas não foram divulgadas fotos ou imagens — no mesmo dia, o Canal Um exibiu uma reportagem mostrando Shoigu entregando prêmios a militares, mas o evento, segundo o Agência, era o mesmo reportado no dia 11.

Próximo de Putin

Segundo político mais popular da Rússia, pelo menos até o início da guerra, Sergei Shoigu faz parte do chamado circúlo de confiança (siloviki) de Vladimir Putin, e é notadamente conhecido por sua afeição pelas câmeras e sua proximidade com o poder. Vindo de uma das regiões mais pobres da Federação Russa, Shoigu montou a estrutura do Ministério das Emergências, comandado por ele desde 1991, quando o órgão ainda tinha status de organização de governo — em 1999, pouco antes da chegada de Putin à Presidência, recebeu o título de Herói da Federação Russa.

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Em 2012, foi indicado ao Ministério da Defesa, e esteve à frente de algumas das mais complexas operações militares russas no século, como a anexação da Crimeia, em 2014, e a intervenção militar na Síria, em 2015, lhe dando um status que poucos ministros possuem dentro do Kremlin. Com isso, muitos passaram a vê-lo como um sucessor possível para Vladimir Putin. No ano passado, ao lado do chanceler, Sergei Lavrov, puxou a lista do Rússia Unida nas eleições parlamentares, mas logo depois renunciou ao cargo na Duma, a Câmara Baixa do Parlamento.

Antes do atual conflito, Shoigu foi uma das principais vozes a negar as intenções russas de invadir a Ucrânia, inclusive em declarações à imprensa ocidental, e se manteve na mídia mesmo depois do início da guerra. Por isso, sua ausência levantou uma série de teorias da conspiração, apontando para uma eventual saída do posto, ou mesmo para problemas de saúde. Segundo o site Meduza, uma fonte próxima ao ministro disse que ele "não estava bem" e que teria sido diagnosticado com "problemas cardíacos". O ministério não comentou tais alegações.

Nesta quinta-feira, ao ser questionado sobre a ausência de Shoigu, Peskov disse que não passavam de rumores sem fundamento.

"Ouça, bem, o ministro da Defesa agora tem muitas preocupações. Uma operação militar especial está em andamento. Agora não é o momento para atividade de mídia. Isso é bastante compreensível" declarou o secretário de Imprensa, citado pela RIA Novosti.

Ele ainda recomendou aos jornalistas que buscassem informação diretamente com o Ministério da Defesa, e não com veículos independentes, como o Agência.

A "aparição" de Shoigu ocorre um dia depois da renúncia do enviado especial da Rússia para o Clima, Anatoly Chubais, um dos responsáveis pela política de privatizações dos anos 1990, logo depois do fim da União Soviética. Ele é, até o momento, o mais alto integrante do governo Putin a deixar o cargo por divergências em relação à guerra na Ucrânia.

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*(com informações da agências internacionais)

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