Exército russo informou que, em teste bem-sucedido, míssil disparado da fragata Almirante Gorchkov atingiu alvo, em águas do Mar Branco, no Ártico
Reprodução/Ministério da Defesa da Federação Russa
Exército russo informou que, em teste bem-sucedido, míssil disparado da fragata Almirante Gorchkov atingiu alvo, em águas do Mar Branco, no Ártico

Rússia, China, Estados Unidos e Coréia do Norte são alguns dos países que tem investido milhões de dólares no desenvolvimento de mísseis hipersônicos , armamentos mais precisos e eficazes, capazes de cobrir grandes distancias. Classificados pelo governo de Putin como 'invencíveis', mísseis hipersônicos foram empregados pela primeira vez por forças russas na invasão da Ucrânia, nesta sexta-feira.

Os mísseis hipersônicos recebem esse nome por conseguirem atingir velocidades até mais de cinco vezes superiores a velocidade do som. Ao atingir 1.200 km/h, um objeto em alta velocidade produz uma onda de som, denominada estrondo sônico. Essa é a velocidade do som, chamada de Mach 1. Ao se atingir pelo menos cinco vezes esse valor,Mach 5, se está diante de um objeto que se locomove em velocidade hipersônica.

Os modelos desenvolvidos pelos russos atingem altas atitudes e, por serem mais manobráveis que mísseis convencionais, são de interceptação mais difícil. Putin chegou a comparar o avanço científico e tecnológico desses armamentos com a criação do Sputnik, primeiro satélite a orbitar a Terra, criado pelos soviéticos em 1957. Ele descreve os novos armamentos como de alcance 'ilimitado'.

Usados pela primeira vez na sexta-feira pelos militares russos, os mísseis hipersônicos Kinjal ("punhal" em russo) permitiram a destruição de um depósito subterrâneo de armas no oeste da Ucrânia.

Equipados em aviões de guerra MiG-31, esse tipo de míssil consegue burlar os sistemas de defesa antiaérea, segundo Moscou. Durante os testes, eles atingiram todos os seus alvos a uma distância de até 1.000 a 2.000 km.

Mas os mísseis Kinjal não são o único modelo hipersônico disponível no arsenal russo. Outro com a mesma tecnologia é o míssil balístico intercontinental Sarmat. Pesando mais de 200 toneladas, é mais eficiente que seu antecessor — o míssil Voevoda com alcance de 11.000 km — e "praticamente não tem limites em termos de alcance", segundo Putin, que garante que é até adequado para "pontar em alvos que atravessam o polo norte e o polo sul".

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Outro modelo de míssil hipersônico é o Zircon. Em novembro de 2021, em um teste realizado no Ártico, o míssil teria atingido um alvo naval a mais de 400 quilômetros, segundo informações do Ministério de Defesa russo.

Diferença é a trajetória

Armas que voam a velocidades superiores à acima da velocidade do som não são novidade. A diferença apresentada por esses novos modelos de mísseis hipersônicos é que eles não seguem, necessariamente, uma trajetória previsível. Mísseis convencionais tendem a viajar em uma trajetória parabólica. Os novos modelos, por sua vez, por poderem ter seu curso alterado, conseguem desviar de defesas antiaéreas.

Alguns observadores veem o risco de que a alta velocidade das armas de nova geração e suas trajetórias de voo imprevisíveis possam levar a erros que aumentem os conflitos, de acordo com o Serviço de Pesquisa do Congresso americano. Outros argumentam que armas hipersônicas fazem pouco para alterar a dinâmica entre EUA, Rússia e China, que já têm mísseis nucleares suficientes para subjugar as defesas do inimigo.

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