Presidente do Peru, José Pedro Castillo Terrones, durante encontro com o presidente da República do Brasil, Jair Bolsonaro, em Porto Velho, capital de Rondônia
Alan Santos/PR - 03.02.2022
Presidente do Peru, José Pedro Castillo Terrones, durante encontro com o presidente da República do Brasil, Jair Bolsonaro, em Porto Velho, capital de Rondônia

O Congresso peruano, dominado pela oposição, aceitou nesta segunda-feira debater uma moção de impeachment contra o presidente Pedro Castillo, semelhante às que levaram à queda dos ex-presidentes Pedro Pablo Kuczynski, em 2018, e Martín Vizcarra, em 2020.

Com 76 votos a favor, 41 contrários e uma abstenção, o Congresso admitiu a abertura do processo e convocou o presidente para que responda às acusações por supostas infrações constitucionais, incluindo a de uma empresária que o vincula a atos de corrupção. Castillo pode ir ao Congresso com seu advogado ou enviar seu advogado de defesa sozinho para responder às acusações.

No fim de fevereiro, a imprensa peruana transmitiu declarações da empresária Karelim López à Promotoria, que investiga supostos atos de corrupção no governo, vinculando Castillo a atos irregulares. López, também envolvida nas investigações, busca se beneficiar de um processo de colaboração com a Justiça em troca de benefícios.

É a segunda tentativa, em menos de oito meses, de aprovar uma moção para discutir o impeachment do presidente. A primeira, em dezembro, não obteve o número de votos necessários para que o pedido fosse debatido no Congresso.

Agora, com a aprovação da moção de impeachment, o Parlamento deve reunir pelo menos 87 votos dos 130 legisladores, um cenário improvável devido às divisões na oposição.

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— A moção foi aprovada [para debate] — anunciou a presidente do Congresso, María del Carmen Alva, que propôs que o plenário decida o destino do presidente na segunda-feira, dia 28 de março.

A tentativa de derrubar Castillo é promovida principalmente por três partidos de direita, incluindo a ex-candidata Keiko Fujimori, que perdeu as eleições de julho do ano passado. A oposição alega que Castillo, que nega as acusações, tem "incapacidade moral" para governar.

Na semana passada, o Congresso peruano aprovou o quarto Gabinete de ministros do presidente. De acordo com as últimas pesquisas de Ipsos Peru e IEP, o apoio ao governo caiu abaixo de 30%, ficando próximo dos seus níveis mais baixos desde que ele assumiu. O Peru teve cinco presidentes desde 2016, incluindo Castillo.

*Com informações de agências internacionais

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