Caça da Força Aérea Polonesa
Reprodução/Twitter
Caça da Força Aérea Polonesa

O governo da Polônia colocou nesta terça-feira todos seus caças Mikoyan MiG-29 à disposição dos EUA para que sejam enviados à Ucrânia em apoio à resistência contra a invasão militar da Rússia, iniciada em fevereiro. Contudo, o Pentágono sinalizou uma rejeição à proposta ao dizer que a oferta não é "sustentável", fazendo a ressalva de que o governo americano continuará em contato com Varsóvia e outros aliados da Otan (aliança militar do Ocidente) sobre a questão.

Segundo comunicado da Chancelaria polonesa, as aeronaves podem ser enviadas imediatamente e de forma gratuita à base de Rammstein, na Alemanha, operada pelos EUA, para serem posteriormente enviadas à Ucrânia — o país tem em sua frota as mesmas aeronaves, portanto, não seria necessário um treinamento adicional para os pilotos locais.

"Ao mesmo tempo, a Polônia solicita aos EUA que proporcionem aviões usados com as correspondentes capacidades operacionais. A Polônia está disposta a estabelecer imediatamente as condições de compra dos aviões", diz o comunicado. Ao todo, o país possui 30 Mig-29, de fabricação soviética, mas apenas 23 prontos para uso.

Em entrevista coletiva, o chanceler polonês, Mateusz Morawiecki, disse que só tomaria uma decisão final sobre o envio com o aval de todos os países da Otan.

— Por isso estamos dispostos a entregar toda nossa frota de caças à [base de] Rammstein, mas não estamos dispostos a fazer nenhum movimento por conta própria porque, como disse, não somos parte dessa guerra — afirmou.

Num primeiro momento, a subsecretária de Estado para Assuntos Políticos do governo americano, Victoria Nuland, se disse surpresa com o anúncio, afirmando que os poloneses não consultaram os americanos antes de fazerem a oferta. No entanto, mais tarde um porta-voz do Pentágono, John Kirby, disse em comunicado que a oferta não é "sustentável".

Segundo Kirby, a perspectiva de os jatos partirem de uma base dos EUA e da Otan na Alemanha "para voar para o espaço aéreo que é contestado com a Rússia sobre a Ucrânia levanta sérias preocupações para toda a aliança da Otan".

"Continuaremos a consultar a Polônia e nossos outros aliados da Otan sobre essa questão e os difíceis desafios logísticos que ela apresenta, mas não acreditamos que a proposta da Polônia seja sustentável", disse o porta-voz.

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No domingo, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, reconheceu que o tema foi colocado na mesa pela Polônia — antes, havia dito que não havia a possibilidade de um país da Otan enviar aeronaves de combate à Ucrânia.

— Estamos falando com nossos amigos poloneses sobre o que podemos fazer para suprir suas necessidades se eles decidirem mandar caças para os ucranianos. O que podemos fazer? Como podemos ajudar para garantir que reponham os aviões que estão dando aos ucranianos? Estamos em discussões sobre o tema — disse Blinken, em entrevista à CBS.

Durante uma audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nuland afirmou que a prioridade, neste momento, é avaliar as necessidades de segurança da Polônia, que compartilha 520 km de fronteiras com a Ucrânia: hoje, o país é o principal ponto de entrada de refugiados ucranianos, e mesmo que o conflito ainda esteja longe de seu território, Varsóvia e os países da aliança tentam se preparar para o pior cenário. Nessa linha, Nuland afirmou que poderá instalar algumas baterias de sistemas de defesa aérea Patriot, sem dar detalhes.

No fnal de fevereiro, o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, havia sugerido aos países do bloco que colocassem aviões de combate à disposição dos ucranianos, como forma de ajudar no combate às forças russas e diante da falta de vontade da Otan em atender a uma demanda do presidente Volodymyr Zelensky: a criação de uma zona de exclusão aérea, o que colocaria frente a frente aeronaves russas e da aliança, com efeitos potencialmente catastróficos. No final de semana, o Zelensky voltou a fazer o pedido durante conversa por videoconferência com senadores americanos.

Segundo a imprensa americana, caso os EUA concordem com a proposta ucraniana, seriam enviados caças F-16 em troca dos MiG-29, mas ainda não se sabe como essa logística seria feita. No Senado, os parlamentares pressionaram Nuland para que o Departamento de Estado avise se houver algum tipo de atraso. Ela não se comprometeu.

— Continuarei informando a posição amplamente compartilhada neste comitê de que estes aviões devem ir para a Ucrânia, [mas] há vários fatores a considerar a respeito e há opiniões divergentes entre nossos aliados e inclusive no governo — afirmou.

Ela também não revelou se um anúncio sobre o tema poderia ser feito durante a visita da vice-presidente, Kamala Harris, à Polônia e à Romênia, esta semana. Segundo a CNN, outros países europeus estão avaliando fornecer caças à Ucrânia, mas tratam o assunto de forma privada.

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