Registro de uma reunião na ONU
Mark Garten/ UN Photo
Registro de uma reunião na ONU


Na reunião que determinou uma convocação extraordinária da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) para esta segunda-feira, o embaixador brasileiro na ONU, Ronaldo Costa Filho, reafirmou o voto do Brasil de condenação da invasão da Ucrânia pela Rússia, mas alertou que as sanções econômicas de Europa e Estados Unidos e o  envio de mais armas para a Ucrânia podem piorar a situação.


"O fornecimento de armas, o recurso a ciberataques e a aplicação de sanções seletivas, que podem afetar setores como fertilizantes e trigo, com forte risco de aumentar a fome, acarretam o risco de agravar e espalhar o conflito e não de resolvê-lo.  Não podemos ignorar o fato de que essas medidas aumentam os riscos de um confronto mais amplo e direto entre a Otan e a Rússia", afirmou Costa Filho na reunião realizada no âmbito do Conselho de Segurança.


"É nosso dever, tanto no Conselho quanto na Assembleia Geral, parar e reverter essa escalada. Precisamos nos engajar em negociações sérias, de boa-fé, que possam permitir a restauração da integridade territorial da Ucrânia, garantias de segurança para a Ucrânia e a Rússia e estabilidade estratégica na Europa", destacou o representante brasileiro.

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Costa Filho destacou a posição externada pelo Brasil, na sexta-feira, ao apoiar uma resolução que condena a "agressão" russa contra a Ucrânia. A resolução foi votada no Conselho de Segurança, na qual atualmente o Brasil é membro não permanente. A resolução teve a maioria dos votos dos 15 membros do Conselho, com três abstenções — de China, Índia e Emirados Árabes —, mas não foi adotada por ter sido vetada pela Rússia, que é um dos cinco membros com poder de veto.


Na ocasião, o embaixador brasileiro reforçou a defesa de uma solução pacífica para o impasse, mas criticou a Rússia de uma forma inédita para o Brasil desde o início da escalada de tensões.



— As preocupações de segurança manifestadas pela Federação Russa nos últimos anos, particularmente em relação ao equilíbrio estratégico na Europa, não dão à Rússia o direito de ameaçar a integridade territorial e a soberania de outro Estado — afirmou o diplomata na sexta-feira, referindo-se às queixas russas sobre a expansão da Otan, a aliança militar liderada pelos EUA, para perto de suas fronteiras.

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