Anatoliy Tkach, encarregado de negócios da embaixada da Ucrânia no Brasil
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Anatoliy Tkach, encarregado de negócios da embaixada da Ucrânia no Brasil

O encarregado de negócios da  embaixada ucraniana em Brasília, Anatoliy Tkach, disse, nesta terça-feira, esperar a condenação, pelo Brasil, das últimas medidas tomadas pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, como o reconhecimento das autoproclamadas repúblicas de Luhansk e Donetsk , no Leste da Ucrânia.

O diplomata também quer que o governo brasileiro faça um apelo a Moscou, para que as autoridades russas retomem as negociações de forma pacífica para a resolução da crise.

"Esperamos que, agora, o governo do Brasil não reconheça essas entidades criadas pela Rússia, condene a decisão da Rússia e apele ao lado russo para que retome negociações em busca de uma solução política e diplomática", afirmou Tkach.

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Além de reconhecer a independência dos dois territórios, controlados por separatistas pró-Moscou desde 2014, o presidente da Rússia determinou o envio de uma “missão de paz” à região. O chefe da embaixada em Brasília disse que Kiev está trabalhando para conter a escalada de tensão e conta com o apoio de parte da comunidade internacional.

"Uma postura neutra vai contribuir para uma maior escalada da crise", disse ele.

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Perguntado se essa preocupação com a neutralidade se aplicaria ao discurso considerado do representante do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, Ronaldo Costa, que não citou nominalmente a Rússia ao defender uma solução negociada, Tkach disse que a defesa de uma saída diplomática e do respeito à integralidade territorial, feita pelo diplomata brasileiro, agrada Kiev. Ele destacou que essa posição já foi reiterada várias vezes nas Nações Unidas.

"É uma posição do governo brasileiro que nós gostaríamos de ouvir", afirmou.

Ele desconversou ao ser indagado sobre a declaração do presidente Jair Bolsonaro, feita na semana passada durante um encontro com Putin, em Moscou, quando disse que o Brasil era solidário à Rússia e que os russos buscam a paz. Tkach afirmou que os principais temas tratados na viagem foram a cooperação bilateral e o comércio. Após a entrevista, a assessoria da embaixada explicou que não se sabe o contexto em que o presidente brasileiro se solidarizou com o líder russo.

Tkach também não respondeu se Kiev espera que o Brasil se una aos países que aplicarão sanções à Rússia. Ele salientou que, neste momento, espera que o governo brasileiro não reconheça os territórios separatistas pró-Moscou, assim como o país não reconheceu a anexação da Crimeia em 2014. Outras medidas seriam a defesa do respeito à integridade territorial e a retomada das negociações pelos russos.

"Neste momento, gostaríamos de um pronunciamento do Brasil pela retomada das negociações e a condenação da decisão do presidente Putin. Queremos contar com o apoio do Brasil, que sempre se pronuncia pela retomada das negociações diplomáticas", concluiu.

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