Jair Bolsonaro e Vyacheslav Volodin, presidente da Duma do Estado (parlamento russo)
Alan Santos/PR
Jair Bolsonaro e Vyacheslav Volodin, presidente da Duma do Estado (parlamento russo)

Durante a viagem a Moscou, onde se encontrou com Vladimir Putin e declarou ser "solidário à Rússia", sem dar mais detalhes, Jair Bolsonaro se reuniu com o presidente da Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo, Vyacheslav Volodin.

Na fotos, Bolsonaro aparece em uma mesa ao lado do filho Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro (Republicanos-RJ) e responsável por pela estratégia digital do pai, e de outros integrantes da comitiva do governo. A pauta do encontro não foi divulgada.

O GLOBO entrou em contato com o Itamaraty para esclarecer a presença do vereador na reunião e para obter a posição do Ministério das Relações Exteriores sobre o encontro com um político alvo de sanções internacionais, mas ainda não obteve resposta.

Volodin é um dos políticos mas influentes junto ao núcleo do governo de Putin: integrante do Rússia Unida e presidente da Duma desde 2016, anteriormente ocupou postos elevados no Kremlin, incluindo o de vice-premier, e traz consigo um histórico de posições polêmicas e problemas com outros países.

Em 2014, foi incluído em listas de sanções de países da União Europeia, além de Canadá, Austrália e dos EUA, relacionadas a suas posições e o seu papel durante a crise relacionada à anexação da Crimeia por Moscou, em 2014 — seu nome ainda aparece na lista da Agência de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA (Ofac), consultada pelo GLOBO nesta quarta-feira.

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Cinco anos depois, em 2019, declarou que a Ucrânia deveria compensar a Rússia pela "forma desonesta" como governou a Crimeia, referindo-se às decisões tomadas por Kiev, em 1995, de abolir o cargo de presidente da região e revogar a Constituição local.

— A Ucrânia realmente tratou a Crimeia de forma muito, muito desonesta. Os direitos fundamentais dos cidadãos foram violados: o direito a uma língua, o direito à educação em sua língua nativa, a economia da Crimeia e Sebastopol foi destruída — disse, em discurso na época. Uma semana depois, acabou incluído na lista de sanções do governo de Kiev.

Já nesta terça-feira, ele foi um dos defensores do projeto apresentado pelo Partido Comunista, na Duma, que pedia ao presidente Putin que reconheça as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, controladas por nacionalistas pró-Moscou no Leste da Ucrânia. O Kremlin não sinalizou se apoia ou não a ideia, mas a aprovação da moção foi suficiente para uma onda de críticas vindas de países europeus, dos EUA e da própria Ucrânia.

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