Vladimir Putin
Presidência da Rússia (via Fotos Públicas)
Vladimir Putin

O presidente russo, Vladimir Putin, declarou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ignorou as propostas feitas por Moscou para a crise na Ucrânia, e acusou os EUA de “usarem” Kiev para “conter a Federação Russa”.

Ao lado do premier húngaro, Viktor Órban, que visita Moscou, Putin sugeriu que a eventual entrada ucraniana na aliança militar liderada pelos Estados Unidos poderia levar a uma guerra na Crimeia, atacou a política de “portas abertas” da organização, e afirmou que Washington, na realidade, "não se importa" com o destino da Ucrânia.

"A tarefa mais importante deles [EUA] é conter o desenvolvimento da Rússia", afirmou Putin.

"A Ucrânia é apenas um instrumento para chegar a esse objetivo. Isso pode ser feito de várias formas, como nos levando a um conflito armado e forçando seus aliados na Europa a adotarem duras sanções contra nós, como as que estão sendo discutidas hoje nos EUA". 

Putin centrou seus ataques nas respostas recebidas por Moscou às demandas de segurança feitas por ele em dezembro, e que foram entregues por EUA e Otan na semana passada. Os dois pontos centrais para a Rússia são o veto à entrada da Ucrânia na aliança, além da retirada de contingentes da aliança dos países que se tornaram membros depois de 1997, pontos considerados “inaceitáveis” para o Ocidente.

"Gostaria de observar que estamos analisando cuidadosamente as respostas recebidas pelos EUA e pela Otan em 26 de janeiro, mas já está claro que as principais preocupações da Rússia não foram levadas em consideração", afirmou o presidente russo.

Putin ainda mencionou uma possível guerra em torno da Crimeia caso a Ucrânia seja admitida na Otan, a península foi anexada pela Rússia em 2014, após um referendo não reconhecido internacionalmente, e o retorno do território ao comando de Kiev se encontra entre as doutrinas de segurança do governo ucraniano.

"A adesão da Ucrânia à OTAN criará ameaças militares à Crimeia", afirmou o presidente russo.

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Para ele, o Ocidente não considera que um eventual conflito em torno da península não será apenas entre as forças de Moscou e de Kiev, mas sim entre a Rússia e toda a aliança militar, uma referência à política de "um ataque contra um é um ataque contra todos", presente no Artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte.

Ao lado de Putin na entrevista coletiva estava Viktor Órban, um líder próximo ao Kremlin, mas que também integra a União Europeia e a própria Otan. Na reunião desta terça-feira, ele anunciou acordos bilionários para o fornecimento de gás natural e vacinas vindas da Rússia, e chegou a criticar a política de sanções como ferramenta de pressão econômica, ao mesmo tempo, defendeu a diplomacia na atual crise.

"A distância entre o que a Otan quer e o que a Rússia quer ainda é enorme, mas acredito ser possível reduzir essa dferença, e talvez possamos chegar a um acordo que possa garantir a paz e a segurança", declarou o premier húngaro, abertamente contra o envio de militares da aliança para território ucraniano.

Questões de segurança

Antes da entrevista coletiva, os chefes da diplomacia da Rússia, Sergei Lavrov, e dos EUA, Antony Blinken, conversaram por telefone, e se mostraram dispostos a discutir “preocupações mútuas de segurança”, mas sem fazer promessas imediatas. Segundo o Departamento de Estado, Blinken usou a conversa para reiterar posições já conhecidas dos EUA, como a defesa da integridade territorial da Ucrânia e a política de "portas abertas" da Otan, mas ele questionou a Rússia sobre a permanência das tropas na fronteira se, como alega Moscou, não existe a intenção de um ataque.

"Se o presidente Putin não quer iniciar uma guerra ou levar adiante uma mudança de regime, o secretário [Blinken] disse ao chanceler Lavrov que, então, este é o momento de retirar as tropas e o armamento pesado, e iniciar uma discussão que possa melhorar a segurança coletiva europeua", afirmou à AFP um funcionário do Departamento de Estado, sem se identificar.

O Kremlin, por sua vez, esclareceu que uma carta enviada na segunda-feira a Washington e à Otan não era uma resposta russa aos comentários ocidentais às demandas de segurança, como havia dito a diplomacia americana, mas sim perguntas sobre a ideia da “indivisibilidade da segurança" na aliança, ligada ao conceito da defesa coletiva.

Em Kiev, o premier britânico Boris Johnson se encontrou com o presidente Volodymyr Zelenskiy, e sugeriu que um pacote de sanções econômicas contra a Rússia pode ser adotado "imediatamente" no caso de uma invasão. Há ainda conversas, também envolvendo a Polônia, sobre a criação de uma aliança de segurança entre os três países, o que é visto como uma forma de aproximar Kiev da Otan, o tema foi tratado pelo premier polonês, Mateusz Morawiecki, que também está em Kiev.

Ainda nesta terça-feira, Zelenskiy firmou um decreto para aumentar, em 100 mil, o número de militares nas Forças Armadas, além de elevar salários e benefícios. O aumento do contingente ocorreria em até três anos, e o presidente afirmou que não se trata de uma medida de urgência, mas sim para garantir a paz no futuro. Ao contrário de lideranças no Ocidente, o líder ucraniano vem evitando adotar um tom alarmista em suas declarações sobre a crise envolvendo a Rússia. 

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