Julian Assange, chegando ao tribunal para uma audiência em maio de 2019
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Julian Assange, chegando ao tribunal para uma audiência em maio de 2019

A Justiça britânica aprovou nesta sexta-feira um recurso dos Estados Unidos solicitando a extradição de Julian Assange, fundador do WikiLeaks. Washington quer julgar o ativista pela divulgação de documentos confidenciais.

Conforme o juiz Timothy Holroyde, do Tribunal de Apelação de Londres, o governo americano ofereceu garantias suficientes de que Assange receberá tratamento adequado no país, onde a saúde mental e a integridade física dele deve ser protegidas.

"O tribunal permite o recurso" , disse Holroyde na Corte.

No início de 2021 a Justiça britânica negou a solicitação de Washington, afirmando que seria "opressivo" extraditar Assange diante de seu estado de saúde demasiadamente frágil e do risco substantivo de suicídio e os americanos recorreram da decisão.

Assange enfrenta nos EUA 18 acusações que envolvem conspiração para obter e divulgar, entre 2010 e 2011, mais de 250 mil telegramas diplomáticos e cerca de 500 mil documentos confidenciais sobre as atividades militares americanas no Iraque e no Afeganistão durante a chamada "guerra ao terror". Se condenado, ele pode ter uma pena de até 175 anos de prisão.

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A defesa dele e diversas organizações defensoras dos direitos humanos afirmam que as acusações são uma perseguição política e põem em xeque o livre trabalho jornalístico.

Relembre o caso

Assange foi preso pela primeira vez no Reino Unido em dezembro de 2010, cinco meses após a divulgação dos documentos. A ordem de prisão dizia respeito a acusações de estupro e abuso sexual na Suécia, posteriormente arquivadas por falta de provas. Na ocasião, ele já dizia temer uma extradição para os EUA.

Em junho de 2012, depois que a Justiça britânica negou seu último recurso para evitar a extradição para Estocolmo, ele pediu asilo na embaixada equatoriana em Londres, violando sua liberdade condicional. Assange ficou na missão diplomática até abril de 2019, quando teve seu asilo revogado por Quito. Ele foi preso ao sair do prédio e condenado a 50 semanas de detenção pela violação da condicional.

Após interrupção enquanto o australiano estava na embaixada, a Justiça sueca retomou as investigações sobre as acusações de estupro, mas não encontrou quaisquer provas. Frente ao arquivamento do caso, levantou-se uma série de questionamentos sobre a legalidade de mantê-lo na prisão Belmarsh, onde permanece até hoje.

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