Manifestações seguem pelo terceiro dia consecutivo no país após golpe militar
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Manifestações seguem pelo terceiro dia consecutivo no país após golpe militar

Os militares que deram o golpe de Estado em Mianmar declararam lei marcial em Mandalay e em mais seis distritos próximos para tentar conter a onda de protestos contra as Forças Armadas. A nova legislação impede a reunião de grupos de mais de cinco pessoas e impõe o toque de recolher entre 20h e 4h.

Mandalay é a segunda maior cidade em população do país, atrás apenas da antiga capital Yangon. No entanto, os protestos não devem arrefecer, mas sim haverá o aumento da repressão contra os cidadãos. Além das duas grandes cidades, a capital de Mianmar , Nay Pyi Daw, também registrou protestos com milhares de pessoas.

Esta segunda-feira (8) marca o terceiro dia consecutivo de greve nacional de trabalhadores e de protestos contra o golpe . Canhões de água foram lançados contra os cidadãos e a TV de Estado "MRTV" publicou um alerta do governo com ameaças contra os manifestantes por desrespeito à lei de "segurança pública".

"Precisaremos agir segundo a lei com medidas eficazes contra os crimes que causam distúrbios, impedem e destroem a estabilidade do Estado, a segurança pública e o estado de direito", informam os representantes do regime militar na nota lida pela emissora.

Após prenderem a líder "de facto" do país, Aung San Suu Kyi , e o presidente, Win Myint , no dia 1º de fevereiro, os militares anunciaram um ano de estado de emergência nacional e assumiram todas as funções civis no governo. Além disso, vetaram todas as redes sociais e o acesso à internet é quase nulo.

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Porém, os protestos que estavam mais restritos a categorias profissionais e estudantes foram para as ruas para exigir que a democracia seja restaurante no país.

As Forças Armadas deram um golpe de Estado alegando que houve "fraude" no pleito de 8 de dezembro, quando o partido de Suu Kyi, o Liga Nacional para a Democracia (NLD), teve uma vitória com mais de 70% dos votos.

Na segunda-feira da semana passada, os novos eleitos deveriam assumir suas funções no Parlamento , mas os militares deram um golpe antes da sessão inaugural. Além de prender Suu Kyi e Myint, outros dirigentes do NLD e de partidos que apoiavam a Nobel da Paz de 1991 também foram detidos.

Mas, se a razão do golpe foram "fraudes", os dois líderes nacionais vão responder por "crimes" que nada tem a ver com o pleito . Suu Kyi, que não pode ser a mandatária porque tem filhos com um homem estrangeiro, foi acusada de violar uma lei comercial por ter comprado rádios de comunicação para os agentes que faziam a sua proteção. Já Myint foi acusado de "violar uma lei sobre a gestão de catástrofes naturais".

Com exceção da China, a comunidade internacional condenou o golpe e exige a libertação imediata dos presos políticos.

Mianmar passou 25 anos sem eleições livres e, em 2015, a vitória do partido de Suu Kyi marcou a retomada democrática. Segundo especialistas, o golpe foi dado pelas Forças Armadas por conta do constante aumento de poder da líder nacional.

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