dois frames de homem sorrindo
Stewart Trial Attorneys/Twitter
Rayshard Brooks morreu após abordagem

Em meio aos protestos que ainda se espalham pelo mundo contra o racismo e a brutalidade policial, após o assassinato de George Floyd, a chefe da polícia de Atlanta renunciou no sábado após a morte de mais um homem negro em abordagem policial na noite de sexta-feira (12). A chefe de polícia da cidade, Erika Shields, renunciou depois que um agente matou Rayshard Brooks, um jovem de 27 anos, enquanto tentava prendê-lo, segundo autoridades locais. Manifestantes foram às ruas próximas ao local para protestar.

"Devido ao seu desejo de Atlanta ser um modelo de como deve ser uma reforma significativa em todo o país, a chefe Shields ofereceu renunciar imediatamente como chefe de polícia", disse a prefeita da cidade, a democrata Keisha Lance Bottoms, numa entrevista à TV.

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O policial Garret Rolfe, que atirou e matou Brooks, foi demitido, segundo o sargento John Chafee, porta-voz do Departamento de Polícia de Atlanta. Outro oficial envolvido no incidente foi posto em licença administrativa. "Não acredito que se justificasse o uso de força letal e pedi a demissão imediata do oficial", disse Bottoms em entrevista coletiva à tarde.

A morte de Brooks provocou protestos na frente da lanchonete onde o homem foi baleado. Os manifestantes incendiaram o estabelecimento e bloquearam estradas próximas ao restaurante de fast-food Wendy's, em Atlanta.

Imagens na televisão local mostraram o restaurante em chamas por mais de 45 minutos antes que as equipes de bombeiros chegassem para apagar o incêndio. O prédio foi reduzido a escombros.

Os policiais usaram gás lacrimogêneo e bombas para tentar dispersar a multidão que fechou uma das principais rodovias do estado.

Versões conflitantes

A vítima do incidente ocorrido em Atlanta na noite de sexta-feira, Rayshard Brooks, caiu no sono em seu carro em um restaurante drive-thru de fast-food, e os funcionários ligaram para a polícia para reclamar que ele estava bloqueando outros clientes, de acordo com um relatório oficial. Brooks teria resistido quando a polícia tentou prendê-lo, de acordo com o Departamento de Investigação da Geórgia.

Uma câmera de vigilância mostrou que "durante uma briga física com policiais, Brooks se apoderou de um dos tasers (arma imobilizadora) do policial e tentou fugir do local", apontou o relatório.

"Os policiais perseguiram Brooks a pé e, durante a perseguição, Brooks voltou e apontou um taser para o policial. O oficial disparou sua arma e atingiu Brooks", acrescentou o relatório.

O advogado da família de Brooks, L. Chris Stewart, contestou a versão oficial do ocorrido. Em entrevista coletiva no sábado à noite, ele disse que testemunhas contaram à sua equipe que não viram a polícia realizar um teste de sobriedade como os policiais disseram. Elas afirmaram ainda que viram Brooks conversando com os policiais de maneira "civilizada" enquanto estava do lado de fora do carro.

Stewart alegou, diversas vezes, que um taser não é considerada uma arma mortal e que não havia motivo para atirar em Brooks por esse motivo. Ele também disse que a polícia poderia facilmente prender Brooks, em vez de persegui-lo e matá-lo. Segundo o advogado, Brooks estava comemorando o aniversário da filha pequena no sábado.

"Sua vida não estava em perigo imediato quando ele atirou", disse Stewart sobre o policial. O advogado acrescentou que os policiais colocaram luvas descartáveis e pegaram os cartuchos antes de prestar os primeiros socorros a Brooks, e esperaram mais de dois minutos antes de verificar o pulso do homem ferido.

Brooks foi levado para um hospital, mas morreu após uma cirurgia. Um policial ficou ferido. A prefeita Bottoms, que se pronunciou depois que manifestantes em Atlanta voltaram às ruas para protestar pela morte de Brooks, informou que o policial que atirou foi demitido.

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