Para evitar nova onda da doença, governo chinês aumenta testagem na cidade de Wuhan
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Para evitar nova onda da doença, governo chinês aumenta testagem na cidade de Wuhan

A cidade de Wuhan, epicentro do surto de coronavírus na China, que registrou os primeiros casos da doença em dezembro de 2019, fez uma testagem em massa recentemente para evitar uma segunda onda de contaminação. Segundo a comissão local de saúde, foram aplicados testes a aproximadamente 6,68 milhões de pessoas num intervalo de apenas 12 dias. Destes, foram detectados 206 casos assintomáticos, informou um levantamento feito pela "Bloomberg News".

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Wuhan iniciou uma campanha de contenção da propagação da Covid-19 no último dia 14, após confirmar nos dias 9 e 10 seu primeiro grupo de infecções desde que a cidade saiu da quarentena em 8 de abril, concluindo um bloqueio de 76 dias. Até então, tinham sido examinados 3 milhões de moradores da cidade, cuja população gira em torno de 11 milhões. O governo anunciou que concentraria os esforços na testagem ao máximo possível.

A finalização dos exames de todos os moradores da cidade deve dar às autoridades um sinal claro do número de casos assintomáticos num momento em que as escolas e negócios estão reabrindo.

Como prioridade, foram analisados os moradores que ainda não tinham sido examinados, pessoas que moram em conjuntos residenciais que tiveram casos de infecção e Estados antigos ou densamente povoados, disse a agência de notícias "Xinhua", no dia 15, citando uma reunião do governo de Wuhan.

O temor de uma segunda onda da doença veio à tona no final de semana depois que Wuhan relatou um foco de infecções , o primeiro desde que o isolamento da cidade foi revogado em 8 de abril. As infecções mais recentes vieram de casos assintomáticos – pessoas que têm o vírus mas não exibem sintomas, como febre.

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Guerra aos "pauzinhos"

Tradicionais nas cozinhas orientais, hashis devem ser substituídos por outros utensílios durante a pandemia
Reprodução/Twitter
Tradicionais nas cozinhas orientais, hashis devem ser substituídos por outros utensílios durante a pandemia

O novo coronavírus se tornou não só uma ameaça à saúde , mas também à devoção dos chineses aos "pauzinhos" e ao compartilhamento de alimentos à mesa. Diante da disseminação, o governo está pedindo que a população use utensílios de cozinha diferentes em vez dos hashis pessoais para se servir de comida.

Entretanto, segundo informações do The New York Times, a resistência é forte porque muita gente não quer abandonar essa expressão importante da cultura do país: ela é uma das maneiras pelas quais os chineses expressam intimidade e transmitem afeto.

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Os pais pegam pedacinhos escolhidos e os colocam nas tigelas dos filhos como expressão de amor; as crianças servem os avós para mostrar respeito; e os chefes fazem isso como um gesto de generosidade em relação a seus funcionários, enumera o jornal americano. Agora, com a crescente preocupação de que a longa tradição chinesa de compartilhar alimentos possa acelerar a disseminação do coronavírus, o governo se concentrou no utensílio.

As agências de notícias do país estão chamando de "revolução da mesa de jantar". Zhong Nanshan e Zhang Wenhong, especialistas em doenças infecciosas que se tornaram celebridades desde o início do surto, manifestaram seu apoio à mudança. As autoridades de todo o país veiculam anúncios com slogans como: "A distância entre você e o jantar civilizado é apenas um par de 'pauzinhos' de servir".

Alguns restaurantes e lanchonetes atenderam ao chamado e estão oferecendo descontos para os clientes que usam "pauzinhos" diferentes para se servir. Na cidade de Hangzhou, no leste da China, mais de cem restaurantes de destaque formaram uma "Aliança dos Pauzinhos de Servir". Em Pequim, Bai Yiwen, um dos proprietários da Chilli Kitchen, calcula que, desde a reabertura, em meados de abril, mais da metade dos grupos que visitam seus restaurantes pediram por "pauzinhos" de servir, muito mais que os menos de 5% de antes da pandemia .

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"As pessoas achavam que usar pauzinhos de servir era incômodo", disse Bai, de 31 anos, ao jornal americano: "Mas agora, todos estão se tornando mais conscientes do problema e lentamente estão se acostumando".

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