Miguel e Daniel Moran foram enterrados juntos após morrerem de Covid-19
Reprodução/CNN
Miguel e Daniel Moran foram enterrados juntos após morrerem de Covid-19

Desde o início da pandemia do Covid-19, é comum dizer que esta é uma doença solitária, que faz com que as vítimas acabem morrendo sozinhas, distantes de seus familiares. Um caso ocorrido em um hospital de Nova York, nos EUA, nesta semana mostra a importância deste distanciamento: após dar um último adeus ao pai no leito do hospital, um jovem de 23 anos acabou contraindo o vírus e também morreu.

Leia também: Solidão de casa cheia: pandemia gera sobrecarga e angústia em Au Pairs brasileiras nos EUA

Segundo informações da CNN, os familiares de Miguel Moran, de 56 anos, foram autorizados pelos funcionários do St. Joseph Hospital a prestar suas últimas homenagens a ele, ao lado do leito que ele ocupava desde que contraíu o novo coronavírus (Sars-Cov-2) e precisou ser internado.

Todos os cinco que estiveram ao lado de Miguel, um imigrante de El Salvador que lavava caminhões para conseguir algum dinheiro e sustentar a família, usaram máscara de proteção e receberam uma vestimenta própria do hospital, que foi compartilhada entre eles. Ele morreu horas depois de insuficiência respiratória aguda.

Segundo os familiares, Daniel só começou a se sentir mal cerca de três dias depois da visita, quando passou a ter dificuldade de respirar e foi diagnosticado com um princípio de pneumonia. Inicialmente, ele tentou se recuperar em casa, mas o quadro piorou e houve a necessidade de internação.

Você viu?

Quando a ambulância chegou para levá-lo ao hospital, ele subiu no veículo sozinho, mas acabou caindo com o rosto no chão. Os paramédicos até conseguiram virá-lo, mas ele já estava com o rosto azulado, sem conseguir respirar e acabou morrendo no local. Após a confirmação da morte, pai e filho foram enterrados na mesma cova no Cemitério de Amityville.

Mãe de Daniel e esposa de Miguel, Mercedes Moran disse à CNN que a família tomou todas as precauções necessárias para evitar o contágio, tanto dentro de casa como durante a visita. Ainda assim, ela e outros três integrantes da família já testaram positivo para o Covid-19.

"É muito triste ver uma situação assim acontecer. Entretanto, é muito importante que as pessoas saibam que esse distanciamento é necessário, uma vez que nem mesmo os equipamentos de segurança são uma garantia de que mais ninguém será contaminado", afirmou a doutora Cassandra Pierre, diretora do centro médico de Boston.

Leia também: Paraisópolis: mobilização substitui poder público no enfrentamento da Covid-19

"O que aconteceu com essa família me deixa muito triste, porque mostra o estado dos nossos centros de atendimento, que estão super-lotados e já não conseguem dar conta de acomodar todos os pacientes. São tempos estranhos, em que você não pode nem sequer se despedir de quem morre", complementou ela.

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários