coronavírus no Reino Unido
Márcia Foletto / Agência O Globo
Oficialmente, o número de casos de coronavírus no Reino Unido é de 1.950

Um estudo crucial que previu meio mihão de mortos no Reino Unido ajudou a convencer o governo britânico da necessidade de impor medidas mais rigorosas para conter o avanço do novo coronavírus. Além das centenas de milhares de casos, o relatório projetou um serviço de saúde sobrecarregado por pacientes muito graves.

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De acordo com o estudo do Imperial College de Londres, publicado após a entrevista coletiva do primeiro-ministro conservador Boris, na noite de segunda-feira (16), o número de vítimas fatais do coronavírus poderia passar de 500 mil – na ausência total de medidas. Johnson havia sido duramente criticado por sua estratégia diante da pandemia, que era de adiar a imposição de medidas estritas tomadas em outros países europeus.

Numa mudança clara de postura, o premier britânico reviu sua estratégia e pediu na segunda-feira à população que evite qualquer "contato não essencial" e as "viagens desnecessárias", trabalhando de casa e não frequentando bares, restaurantes, teatros e outros eventos sociais. Johnson ainda pediu para que todas as famílias que tenham um membro com febre ou tosse adotem o confinamento em suas casas, sem sair "nem para fazer compras" se possível.

Nesta terça-feira (17), o governo do Reino Unido admitiu finalmente ser "razoável" estimar o número de infectados em 55 mil e que um balanço final da epidemia com 20 mil mortes ou menos seria "um bom resultado". Oficialmente, o número de casos no Reino Unido é de 1.950, apesar de o governo não realizar testes sistemáticos e reconhecer que o número de infectados é muito maior. Até agora, a epidemia deixou 55 mortos.

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Nesta terça, as ruas de Londres estavam parcialmente desertas e apenas alguns pais levaram seus filhos às escolas, que ainda não foram fechadas. Muitas empresas começaram a adotar o sistema de trabalho home office, enquanto museus e teatros anunciaram seu fechamento. Até o metrô da capital, normalmente lotado, parecia vazio no horário de pico.

O principal desafio da nova estratégia, segundo o Imperial College, é manter as medidas “até que exista uma vacina disponível”, o que poderia demorar 18 meses. Na opinião de Azra Ghani, uma das pesquisadores, se o confinamento for respeitado de maneira estrita o país pode registrar quase 20 mil mortes provocadas pelo coronavírus. "Isso vai colocar muita pressão sobre nós como sociedade e em nível econômico".

Outro autor do estudo, Neil Ferguson, membro da equipe científica que aconselha Johnson, afirmou à rádio BBC que também repassou suas conclusões ao governo americano, que reforçou suas medidas. Para Tim Colbourn, epidemiologista da University College, as projeções do estudo antecipam “tempos difíceis pela frente”.  "Os resultados servem de reflexão.".

Com as mudanças, o Serviço Nacional de Saúde (NHS) também anunciou planos para cancelar todas as cirurgias de rotina por três meses e enviar para casa o maior número possível de pacientes, para liberar funcionários e camas para lidar com a disseminação do coronavírus. Simon Stevens, chefe do NHS na Inglaterra, disse que as operações não urgentes serão canceladas a partir de 15 de abril, com o objetivo de liberar um terço das 100 mil leitos disponíveis no país.

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O objetivo é tentar impedir que o sistema de saúde fique sobrecarregado durante um aumento potencial de casos de coronavírus , limitando ao mesmo tempo a exposição de indivíduos saudáveis ao vírus infeccioso.

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