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Agência Brasil
Em postagem, Trump negou que as informações divulgadas sejam verdadeiras

O presidente Donald Trump, disse ao seu conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, que iria reter US$ 391 milhões em auxílio para a Ucrânia, vinculando a liberação da quantia a investigações sobre seus adversários, segundo o New York Times. A descoberta promete dificultar a defesa do presidente americano em seu julgamento de impeachment, que entra em fase decisiva nesta semana.

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A informação vai na contramão de um ponto fundamental da defesa de Trump : de que a retenção do auxílio para a Ucrânia foi algo separado da pressão contra o país do Leste Europeu. Segundo as investigações lideradas pelos democratas da Câmara, a campanha buscava fazer Kiev investigar Joe Biden, potencial rival nas eleições deste ano, e seu filho Hunter, que atuou no conselho de uma empresa ucraniana de gás, a Burisma, na época em que o pai era vice de Barack Obama.

O episódio está no centro das acusações passíveis de impeachment contra Trump — abuso de poder e obstrução de Congresso — e, consequentemente, do julgamento que transcorre desde terça-feira passada no Senado, de maioria republicana. O timing da revelação do NYT é particularmente comprometedor para o presidente , pois ocorre em meio à apresentação dos argumentos de sua defesa e dias antes do voto para decidir se novas testemunhas poderão ou não ser convocadas, que deverá acontecer na sexta-feira. 

Especulava-se que Bolton tinha informações sobre a campanha de pressão liderada por Rudy Giuliani , advogado pessoal do presidente — e, por isso, os democratas já defendiam que ele fosse convocado como testemunha. Dada as revelações, as demandas democratas para que o Senado aprove novos os depoimentos só aumentaram. Para isso, precisam do apoio de quatro republicanos, algo que parece improvável.

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“Agora, não pode haver dúvidas de que Bolton contradiz diretamente o ponto central da defesa do presidente e, por isso, deve ser convocado como uma testemunha no julgamento de impeachment do presidente Trump”, diz um comunicado assinado pelos sete deputados democratas que atuam como promotores criminais no julgamento do Senado . Declarações similares foram feitas pela presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e pelo líder democrata no Senado, Chuck Schumer.

Segundo pessoas próximas ao ex-conselheiro, Bolton deseja testemunhar por diversas razões: além de acreditar ter dados relevantes, ele teme que seja acusado de reter informações para aumentar a venda de seus livros. Anteriormente, ele já disse que iria depor caso seja convocado.

Barr e Pompeo

O jornal americano conversou com diversas fontes que tiveram acesso ao manuscrito do ex-conselheiro, que vem circulando entre pessoas próximas a Bolton nas últimas semanas. Uma cópia também foi enviada à Casa Branca no dia 30 de dezembro — medida padrão em caso de livros de funcionários atuais ou antigos. O governo, segundo o NYT, pode utilizar este processo  para barrar a publicação do livro ou omitir passagens importantes.

Ao longo das páginas, de acordo com o jornal, Bolton descreveu como o imbróglio ucraniano se desenvolveu nos meses que antecederam sua saída do governo, em setembro, por discordâncias com o presidente. O ex-conselheiro, por exemplo, diz que o secretário de Estado, Mike Pompeo, reconheceu, em privado, que não havia motivo para retirar a embaixadora dos EUA na Ucrânia , Maria Yovanovitch, como demandava Giuliani, que a acusava de corrupção.

Outra revelação do manuscrito diz respeito ao polêmico telefonema entre Trump e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, no qual o líder americano prometeu uma reunião na Casa Branca “em breve”. Essa seria a contrapartida para o que o governo iria pedir a Kiev em troca do que o líder americano chamaria, mais tarde, de “um favor” — a investigação contra Biden. Segundo Bolton, ele teria demonstrado sua preocupação com a conduta de Giuliani para o procurador-geral dos EUA, William Barr, que teria sido mencionado na ligação. Barr nega. 

O advogado de Bolton culpou a Casa Branca pelo vazamento do conteúdo do livro, afirmando que o processo de pré-publicação foi “corrompido”. Trump, por sua vez, foi ao Twitter contradizer a matéria do NYT.

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“Eu nunca disse para John Bolton que o auxílio para a Ucrânia estava vinculado às investigações sobre os democratas, incluindo os Biden”, escreveu o presidente. “Na realidade, ele nunca reclamou sobre isso na época de sua demissão muito pública. Se Bolton disse isso, foi apenas para vender livros”, afirmou Trump .

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