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Segundo informações, 20 pessoas já morreram desde o início dos protestos

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Reprodução/Twitter
Manifestações já deixaram 20 pessoas mortas nos últimos dias

Ao menos cinco pessoas, incluindo um menino de oito anos, morreram na Índia durante novas manifestações contra uma lei de cidadania considerada discriminatória, elevando para 20 o número de vítimas fatais desde o início dos protestos, na semana passada. Um dia antes, seis pessoas já haviam morrido.

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Quatro manifestantes foram mortos a tiros durante confrontos com a polícia no estado de Uttar Pradesh, no norte da Índia, segundo o porta-voz da polícia local, Shirish Chandra. O menino de oito anos morreu durante um tumulto em uma manifestação na cidade sagrada de Varanasi, no mesmo estado, de acordo com o chefe da polícia do distrito, Prabhakar Chaudhary.

Em meio aos protestos, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, se encontrou neste sábado com os ministros de seu governo para discutir medidas de segurança. No entanto, nenhum resultado concreto foi anunciado até o momento.

De acordo com as autoridades, mais de 1.500 manifestantes foram presos no país nos últimos dez dias nos protestos. Além disso, em torno de 4 mil pessoas foram detidas e soltas logo em seguida.

A lei que desencadeou os protestos facilita a concessão de cidadania aos refugiados de Afeganistão, Paquistão e Bangladesh, mas apenas se eles não forem muçulmanos. A medida, aprovada com apoio do nacionalista Partido do Povo Indiano (BJP), do premier Narendra Modi, é, segundo críticos, discriminatória e contrária à Constituição indiana, que prevê um Estado laico. No total, os muçulmanos representam 14% da população da Índia — contra 80% da maioria esmagadora de hindus.

A nova lei não afeta diretamente indianos muçulmanos. Por sua vez, muitos hindus no estado de Assam também não gostam da nova lei: eles temem que a medida abra as portas para imigrantes de baixa renda, que poderiam se estabelecer e ocupar terras. Apesar do seu potencial de reforçar a divisão da nação em linhas sectárias, em Assam ela serviu para unir pessoas de todas as crenças.

Neste sábado, alguns ativistas de direitos humanos disseram que suas casas foram invadidas por policiais. As autoridades também fecharam escolas no estado de Uttar Pradesh, à medida que mais manifestações eram planejadas em diversas partes do país neste final de semana.

A organização Anistia Internacional pediu na quinta-feira às autoridades indianas que "cessem a repressão contra manifestantes pacíficos que protestam contra uma lei discriminatória".

O governo nega ter qualquer viés anti-islâmico e defende que a medida tem como objetivo ajudar minorias perseguidas em seus países de origem. Críticos, no entanto, afirmam que a legislação, aprovada sem dificuldades pelas duas Casas do Parlamento na semana passada, é o mais claro sinal de que Modi quer transformar a Índia em um Estado centrado no hinduísmo, pondo a grande minoria muçulmana, cerca de 200 milhões de pessoas, em desvantagem.

Modi, cujo partido abraça uma visão de mundo centrada nos hindus, conseguiu uma avassaladora vitória nas eleições de maio e controla o Parlamento.

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A oposição política contra a lei inclui governadores de partidos regionais, que dizem que irão impedir a implementação da lei em seus estados. O governo afirmou que não há chances de que a lei será revogada.

Neste sábado, organizações hindus de direita e alguns acadêmicos expressaram apoio à lei. Mais de mil professores parabenizaram o  Parlamento e o Governo pelo que dizem ser uma lei "progressista" que se posiciona a favor das "minorias esquecidas".