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Deputado Adam Schiff parafraseou ligação entre os presidentes dos EUA e da Ucrânia; Trump é acusado de pedir para Ucrânia investigar Joe Biden

Donald Trump falando ao telefone arrow-options
Shealah Craighead/Official White House
Trump é investigado por ligações que fez ao presidente ucraniano

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu nesta segunda-feira que o presidente da Comissão de Inteligência dos Estados Unidos, o deputado democrata Adam Schiff, seja preso "por traição". Schiff é um dos líderes do processo de impeachment contra o líder americano, aberto na semana passada.

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Em uma série de tuítes na manhã desta segunda-feira (30), Trump criticou não só Schiff, mas também o informante anônimo que realizou as denúncias sobre sua conduta, chamando de "informante falso".

Segundo a queixa, o presidente americano teria pedido, em um telefonema , que seu par ucraniano investigasse os negócios da família do ex-vice-presidente Joe Biden no setor de gás do país em troca da liberação de auxílio militar. Biden é um dos favoritos para disputar a Presidência pelo Partido Democrata, no ano que vem.

"O deputado Adam Schiff inventou um depoimento falso e terrível, fingindo que eu teria falado aquilo como a parte mais importante do meu telefonema com o presidente ucraniano, e o leu em voz alta para o Congresso e para o povo americano", tuitou o presidente. "Isto não tem qualquer relação com o que eu disse na ligação. Prisão por traição?" 

Na quinta-feira (26), o deputado democrata liderou uma audiência com o diretor interino da Inteligência Nacional dos EUA, Joseph Maguire, sobre como o órgão lidou com a queixa anônima. Na ocasião, Schiff dramatizou uma parte do telefonema entre Trump e Zelenskiy, enfatizando as acusações de má conduta contra o presidente. Ele disse, por exemplo, que o líder americano teria instruído seu par ucraniano para "inventar sujeira contra meu oponente político".

As paráfrases do deputado foram alvo de críticas tanto de republicanos quanto de democratas, que o acusaram de fazer piada com um assunto grave, menosprezando-o.

"Claro que o presidente nunca disse: 'Se você não me entender, eu vou dizer isso mais sete vezes'", disse Schiff, segundo o site The Hill , para se defender. "Meu ponto é que essa era a mensagem que o presidente ucraniano estava recebendo, mesmo que não tenha sido com essas palavras".

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Divulgação de telefonemas

Ainda assim, a postura combativa de Trump promete inflamar ainda mais o escândalo político em que está envolvido. No domingo, em entrevista à NBC , Schiff disse que o Congresso está determinado em ter acesso aos telefonemas de Trump com outros líderes mundiais, inclusive com o presidente russo, Vladimir Putin. O temor, segundo o democrata, é que a segurança nacional dos EUA possa ter sido comprometida pelo conteúdo das conversas.

Perguntado sobre esta possibilidade, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse a repórteres que Washington precisaria do aval de Moscou para divulgar as transcrições dos telefonemas.

"Claro que a sua publicação é, de certo modo, apenas possível pelo acordo mútuo entre ambas as partes. Essa é a prática diplomática correta", disse Peskov. "Para ser mais específico, a pratica diplomática não costuma a prever a publicação desses diálogos. Se houver algum sinal dos americanos, então nós discutiremos [o assunto]".

Segundo uma notícia divulgada pela CNN no sábado, a transcrição de uma conversa entre Trump e Putin foi colocada sob sigilo sem motivo aparente, em data não divulgada. As fontes consultadas pelo canal a cabo não sabem informar se o documento teria sido armazenado no mesmo sistema de alta confidencialidade onde acabaram guardados os registros do telefonema entre Trump e Zelensky.

Um outro telefonema com o príncipe herdeiro saudita, Mohammad bin Salman, também teria sido colocado sob sigilo absoluto, segundo a emissora americana. Neste caso, a transcrição bruta da conversa sequer teria sido repassada — algo que é de praxe.

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Trump e Salman teriam se falado em meio às denúncias envolvendo o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, morto dentro do consulado saudita em Istambul em outubro de 2018. O corpo do colunista do Washington Post teria sido esquartejado, mas seus restos mortais nunca foram encontrados. Em novembro daquele mesmo ano, a CIA, agência de inteligência dos EUA, disse ter a convição de que o próprio Mohammad bin Salman, conhecido pela sigla MBS, ordenou o assassinato.

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