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Representantes vão ficar cinco semanas afastados; primeiro-ministro nega, mas manobra deve servir para evitar bloqueios a Brexit sem acordo

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Reprodução/Instagram Boris Johnson
Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson defende saída da União Europeia sem acordo

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, anunciou nesta quarta-feira (28) uma suspensão de cinco semanas do Parlamento britânico. Isso significa que os parlamentares, ficarão um mês afastados das atividades legislativas. Isto vem sendo analisado como uma tentativa do primeiro-ministro de pressionar por um Brexit sem acordo.

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Boris Johnson pediu autorização à rainha Elizabeth II para suspender o Parlamento, o que é considerado uma formalidade. Mesmo assim, a suspensão acontecerá com o aval da monarca, que aprovou o pedido algumas horas mais tarde. 

O Parlamento britânico está atualmente em recesso de meio de ano e volta às atividades no dia 3 de setembro. Uma semana depois, porém, começa a suspensão determinada por Johnson. O calendário oficial já planejava três semanas de afastamento, do meio de setembro a 9 de outubro, que é quando os políticos se dedicam a conferências partidárias. O tempo agora será duas semanas maior.

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A manobra de Johnson está provavelmente relacionada ao Brexit , uma vez que, estando afastados das atividades legislativas, os parlamentares não terão tempo suficiente de aprovar medidas que possam impedir uma saída sem acordo da União Europeia. Boris Johnson é um ferrenho defensor do Brexit e foi escolhido para o cargo de primeiro-ministro com base em um discurso radical de oposição às negociações.

No entanto, questionado se a manobra era uma forma de negar à oposição a oportunidade de tentar barrar uma saída sem acordo, Johnson negou veementemente. Em entrevista à Sky News , justificou que a suspensão se faz necessária para “apresentar um novo programa legislativo sobre crimes, hospitais e assegurando que temos o financiamento da educação de que precisamos”.

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Boris Johnson tem dito que o tempo será importante para dar continuidade a uma “agenda legislativa doméstica ousada e ambiciosa” para a renovação do país após o Brexit. O primeiro-ministro também garantiu que o Parlamento voltará à ativa no dia 14 de outubro. Ao jornal inglês The Guardian , ele negou que esteja planejando novas eleições gerais para este ano.