Giuseppe Conte estava no cargo de primeiro-ministro desde o ano passado
Reprodução/Twitter/Giuseppe Conte
Giuseppe Conte estava no cargo de primeiro-ministro desde o ano passado

O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte , anunciou nesta terça-feira (20) que entregará sua carta de renúncia ao presidente Sergio Mattarella, depois de dois meses de pressões do vice-primeiro-ministro e ministro do Interior, Matteo Salvini, do partido de extrema-direita Liga, que há duas semanas apresentou uma moção de desconfiança contra a própria coalizão da qual faz parte.

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Antes de anunciar sua renúncia, Conte fez um forte discurso contra Salvini, a quem acusou de ter provocado uma crise de governo de forma "irresponsável" e assim pôr a economia da Itália em risco.

" Salvini foi irresponsável", disse o primeiro-ministro demissionário, para quem o líder da Liga obedeceu a "interesses pessoais e de partido".

A coalizão de governo que começa a se desfazer na  Itália foi formada pela Liga e pelo partido antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), vitoriosos nas eleições gerais italianas de março do ano passado, que terminou com a derrota das agremiações tradicionais.

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Na ocasião, o M5S teve a maior proporção de votos, 30%, contra 16% da Liga de Salvini. Conte , jurista e professor universitário sem militância partidária, foi chamado para ocupar a chefia de governo e servir de fiel da balança entre os dois polos da coalizão.

No entanto, a vitória da Liga nas eleições para o Parlamento Europeu, no final de maio, convenceu Salvini de que ele seria vitorioso em caso de convocação de um novo pleito para o Parlamento italiano. Desde então, ele redobrou a retórica contra Luigi di Maio, líder do M5S e também vice-primeiro-ministro. Seu projeto, caso vencesse novas eleições, era formar um governo exclusivo da extrema direita, ao lado da agremiação Irmãos da Itália. 

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O anúncio da renúncia de Conte, no entanto, não significa que Salvini vá conseguir levar adiante seus planos. Antes de convocar novas eleições, o presidente da Itália, Sergio Mattarella deve consultar os parlamentares sobre a possibilidade de formação de uma nova coalizão. Desde a semana passada, o Partido Democrático, social-democrata, herdeiro do antigo Partido Comunista Italiano, está em negociações com o M5S para articular uma nova aliança governista.

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