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Falas sobre Fernández foram disparadas em live. Bolsonaro disse, ainda, que não importa quem será presidente, mas vice de Kirchner é “ruim para todos”

Bolsonaro falando em microfone arrow-options
Carolina Antunes/PR
Bolsonaro demitiu o secretário de Comunicação

O presidente Jair Bolsonaro mais uma vez atacou a chapa de Alberto Fernández e Cristina Kirchner, favorita para vencer as eleições na Argentina, em sua transmissão semanal no Facebook nesta quinta-feira (16). 

Durante a chamada "live", o presidente mais de uma vez ressalvou que, na condição de chefe de Estado, não deveria opinar sobre as eleições de outro país, mas mesmo assim deixou claro o seu apoio à chapa do presidente Mauricio Macri e a sua desaprovação da chapa kirchnerista:

“Eu, como presidente, não deveria se imiscuir nesses assuntos, mas apenas mostrando números. A Cristina Kirchner , antes do Macri, foi presidente da Argentina, e o relacionamento dela era muito bom com Lula,com Dilma, com Chávez lá atrás, com Maduro, Fidel Castro, quando estava vivo, esse pessoal todo do Foro de São Paulo”, afirmou o presidente, que então, ao contrário do anunciado, começou uma digressão sobre um anúncio relativo ao BNDES, a ser feito na segunda-feira, e não apresentou números.

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Ao voltar a tratar do tema, Bolsonaro fez referência à forte desvalorização do peso frente ao dólar e às perdas na bolsa nos três primeiros dias após a vitória de Fernández nas primárias no domingo, em um sinal de temor de uma vitória do kirchnerismo por parte do mercado.

Nesta quinta-feira, a moeda argentina se valorizou pela primeira vez na semana, tendo alta de 4,88% frente ao dólar e sendo vendida a 57,10 pesos por dólar. A subida interrompe três dias de queda e acontece um dia depois que Macri e Fernández pediram calma aos mercados.

Bolsonaro também disse que “este cara que ganhou as prévias já falou que vai rever o acordo do Mercosul”. Em sua plataforma, Fernández sustenta que o Mercosul deve ser fortalecido. Ele sinalizou que apoia ajustes no acordo alcançado pelo bloco com a União Europeia, por considerar que pode prejudicar a indústria local. 

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O presidente voltou a prever um cenário parecido ao da Venezuela na Argentina, como já fez várias outras vezes.

“O mercado já sinalizou que vai fugir, os investidores vão fugir todos, vai ser um caos na Argentina. Estamos preocupado com isso. Coloquei isso nas minhas redes sociais essa questão, que nós queremos Argentina livre. Quem vai ser o presidente? Não interessa. Mas tá na cara que essa turma da Cristina Kirchner se voltar é ruim para todos nós.”

O presidente também fez “um pedido a Deus” para que ajude o povo argentino, justificando não querer “para o Rio Grande do Sul o que está acontecendo em Roraima com a Venezuela”. Ele acrescentou que “não tem mais cachorro nem gato na Venezuela, porque o povo comeu tudo”.

“Não vou pedir voto para o Macri aqui, até porque eu não tenho esse poder de convencimento de ninguém, mas a política está errada na Argentina. E a Argentina não indo bem é ruim para a gente”, afirmou.

Na noite de segunda-feira, Fernández respondeu a críticas anteriores de Bolsonaro e classificou o presidente brasileiro de "racista, misógino e violento". Fernández, entretanto, disse que o presidente brasileiro é apenas uma "circunstância da vida" e que pretende manter boas relações com o Brasil.

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“Em termos políticos, eu não tenho nada a ver com Bolsonaro . Comemoro enormemente que ele fale mal de mim. É um racista, um misógino, um violento. Não tenho problemas em ter problemas com ele. O que eu pediria ao presidente Bolsonaro é que deixe Lula livre e pediria que se submeta a eleições com Lula em liberdade”, disse Fernández.

As primárias de domingo funcionaram como uma megapesquisa das eleições presidenciais de 27 de outubro. Como não havia disputa interna nos partidos, o importante era saber que proporção de eleitores votaria em cada chapa .

Com 99,37% das urnas apuradas, Alberto Fernández , que tem a ex-presidente e senadora Cristina Kirchner como vice, teve 47,66% dos votos. Macri, candidato à reeleição, recebeu 32,08% dos votos, uma diferença de menos 15 pontos percentuais.

Na Argentina , para vencer no primeiro turno é necessário ter 45% dos votos ou 40% com uma diferença de ao menos 10 pontos sobre o segundo colocado.