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Após participar de evento, presidente comentou decisão, não poupou críticas aos noruegueses e lembrou até da chanceler alemã: "levem a grana para ela"

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Carolina Antunes/PR
Presidente criticou decisão da Noruega e lembrou problemas ambientais do país europeu

O presidente Jair Bolsonaro ironizou, nesta quinta-feira, o fato de a  Noruega ter suspendido repasses de 300 milhões de coroas norueguesas, o equivalente a R$ 133 milhões, que seriam destinados ao Fundo Amazônia . Bolsonaro disse que o país "mata baleia no Polo Norte" e não tem exemplo a dar ao Brasil.

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Em sua resposta, o presidente afirmou ainda que a Noruega deve destinar a verba para ajudar a chanceler alemã Angela Merkel a reflorestar a Alemanha , país que também suspendeu o repasse de cerca de R$ 155 milhões para projetos florestais no Brasil.

"A Noruega não é aquela que mata baleia no Polo Norte? Explora petróleo também lá? Não tem nada a dar exemplo para nós. Pega a grana e ajude a Angela Merkel a reflorestar a Alemanha", disse Bolsonaro , após participar de uma entrega da medalha do Mérito Mauá, concedido pelo Ministério da Infraestrutura.

O ministro do Clima e Meio Ambiente da Noruega, Ola Elvestuen , anunciou nesta quinta-feira a suspensão dos repasses de 300 milhões de coroas norueguesas, o equivalente a R$ 133 milhões, que seriam destinados ao Fundo Amazônia .

Segundo o jornal norueguês "Dagens Næringsliv" (DV), especializado em negócios, o governo local estaria insatisfeito com a nova configuração dos comitês do Fundo , que está sendo discutida em Brasília. A Noruega e a Alemanha já se declararam contrárias às mudanças.

Questionado ainda se a decisão de Alemanha e Noruega prejudicaria a imagem do Brasil no exterior, Bolsonaro disse que a reputação era ruim quando o país tinha uma postura de subserviência às potências mundiais. Ele disse acreditar que esses países estão de olho na "soberania e riqueza" da Amazônia . O presidente observou ainda que, desde a época de deputado, se posicionava do mesmo modo.

"A imagem péssima que o Brasil tinha (no exterior) era a subserviência a essas potências. Elas não estão de olho na floresta amazônica , querem a sua soberania e a sua riqueza. Isso eu falo na Câmara dos Deputados desde 1991. Nós, na floresta amazônica, temos coisas que o resto do mundo não tem mais. E o pessoal está de olho nisso", disse.

Bolsonaro acrescentou que não existe "prazer maior" em se reunir com líderes mundiais e não dever nada a ninguém: "Não tem prazer maior que você chegar na reunião do G-20 , representando o seu país sem dever nada para ninguém. E ali você expor o que você tem de falar, da forma como falei educada com Angela Merkel e Emmanuel Macron, dizendo que o Brasil está sob nova direção".

No encontro do G-20, em Osaka (Japão), em junho, o presidente contou ter dito à chanceler alemã que o Brasil vive uma "piscose ambientalista".

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"Eu fico surpreso em ver a Angela Merkel e sua ministra do Meio Ambiente anunciando isso (corte de verbas para a Amazônia) . Como se o país dela fosse algum exemplo para o mundo na questão de preservação ambiental bem como na geração de energia limpa", criticou.