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Medida desperta críticas da oposição e temores de ataque à democracia; autoridades afirmam que o combate ao crime será reforçado com policiais

Estudantes marcham no Centro de Atenas contra a derruba das restrições à entrada da polícia em universidades da Grécia arrow-options
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Estudantes marcham no Centro de Atenas contra a derruba das restrições à entrada da polícia em universidades da Grécia

O Parlamento da Grécia derrubou nesta quinta-feira (8) regulamentações que restringiam a entrada da polícia em universidades , medida que autoridades dizem que vai permitir o
combate ao crime nos campi, mas que críticos temem poder ser usada para atacar a democracia no país.

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A iniciativa é uma das primeiras patrocinadas pelo novo governo conservador da Grécia sob a égide do partido Nova Democracia, que subiu ao poder no mês passado em lugar do
esquerdista Syriza. O novo primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, fez uma campanha em que abordou fortemente a questão da segurança pública.

"Não queremos a polícia nas universidades. O que queremos, porém, é nos livrarmos dos encapuzados que policiam a vida dos estudantes", afirmou Mitsotakis no Parlamento, numa
referência a supostos ativistas anarquistas nos campi.

Os conservadores argumentam que a atitude de manter as universidades como santuários da ação policial há muito já perdeu sua função, com as instituições sendo “sequestradas” por
elementos criminosos. Muitos acadêmicos reclamam da violência e tráfico de drogas à plena vista nos campi.

"Em sua típica vida estudantil, os estudantes verão os estabelecimentos controlados por diferentes grupos, drogas e porões cheios de bombas e capuzes", afirmou Mitsotakis.

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A inviolabilidade dos campi universitários gregos é um legado da repressão da junta militar ao ativismo estudantil em 1973, quando um tanque derrubou os portões da Politécnica
de Atenas e matou dezenas de pessoas.

Alexis Tsipras , ex-primeiro-ministro e agora principal líder da oposição, diz que a medida é uma tentativa do governo de enfraquecer as universidades públicas gregas.

"Você está obcecado com isso", disse Tsipras a Mitsotakis nas discussões no Parlamento. "A Nova Democracia sempre seguiu esta linha, de gradualmente privatizar as universidades,
minando o bem-estar e as pesquisas", acrescentou.

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Pela lei de 1982, e desde então derrubada e reimposta por diferentes governos, as universidades da Grécia são territórios em grande parte proibidos para a polícia.