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Autoridades buscam dimensionar influência de 'ideologias violentas' sobre realizadores de atentados que deixaram 12 mortos e 40 feridos

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Niah Wavyah / Twitter
FBI investiga terrorismo interno nos massacres da Califórnia e de Ohio

O FBI afirmou nesta terça-feira (6) que abriu uma investigação de terrorismo interno para determinar se Santino William Legan, o atirador que matou três pessoas e feriu outras 13 no Festival do Alho de Gilroy, na Califórnia, no dia 28 de julho, foi influenciado por “ideologias violentas”. Segundo o agente especial John F. Bennett, que comanda as investigações, Legan tinha uma “lista de alvos” que incluía instituições religiosas, organizações políticas democratas e republicanas e prédios federais.

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De acordo com Bennett, o atirador não publicou um manifesto, nem nomeou pessoas em sua lista de alvos. Entretanto, no dia seguinte ao ataque, a rede NBC noticiou que o atirador havia publicado textos no Instagram, no qual fazia menções ao livro do século XIX “Might is Right”, apontado como uma obra frequentemente discutida e celebrada nos círculos de supremacistas brancos da internet.

Paralelamente, o FBI revelou que uma investigação semelhante está sendo conduzida a respeita do ataque em Dayton, Ohio, no qual Connor Betts, de 24 anos, matou nove pessoas e feriu outras 27.

"Descobrimos evidências de que o atirador explorava ideologias violentas", afirmou o agente Todd Wickerham, destacando que as autoridades estão trabalhando para determinar se o atirador fora influenciado por alguma ideologia particular, e se recebeu alguma ajuda.

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De acordo com o New York Times , o FBI investiga se Betts era associado a grupos de incels (celibatários involuntários). À rede CNN , Adelia Johnson, que manteve um relacionamento com Betts, afirmou que no primeiro encontro do casal, em janeiro, ele mostrou a ela o vídeo de um ataque armado a uma sinagoga, e meses mais tarde, quando o casal foi a uma cidade vizinha para ver um show, ele disse ter planos de “machucar muitas pessoas”. Ela ignorou o comentário, acreditando se tratar de palavras sem importância de um jovem embriagado.

A irmã de Adelia morreu no ataque realizado por Betts.

"Não quero dizer que sabia que isso ia acontecer", afirmou Mika Carpenter, que conheceu Betts numa colônia de férias quando ambos tinha 13 anos. "Mas se alguém ia fazer algo assim, seria ele. Ele tinha um certo ódio de mulheres que não queriam sair com ele", acrescentou.

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No Twitter, Adelia afirmou que Betts mantinha coletes à prova de balas em seu carro e “não confiava em policiais”. A jovem confirmou que fora interrogada pelo FBI desde o ataque. “Meu ex-namorado era um assassino em massa”, escreveu ela em seu blog no Medium. “Ainda não sei como me acostumar com essa ideia. O homem que era tão doce comigo e disse que me amava era um assassino em massa. Beijei um assassino em massa”.