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Entre os 44 réus, há estudantes, enfermeiros, comerciantes e um piloto de avião; maior parte dos manifestantes foi libertada sob fiança

Protesto em Hong Kong arrow-options
Reprodução/Twitter
Manifestantes vão às ruas protestar pela democracia em Hong Kong

Quarenta e quatro manifestantes detidos em Hong Kong compareceram à Justiça nesta quarta-feira, onde foram acusados de participação emmotins. Todos foram presos no domingo, durante um protesto inicialmente pacífico no centro da cidade que terminou em confronto com a polícia depois que manifestantes se aproximarem do escritório da representação da China , símbolo da soberania chinesa sobre o território.

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Treze dos acusados são estudantes — são os jovens que estão à frente e coordenam o movimento antigoverno —, mas a variedade de profissões dos detidos indica um envolvimento da classe média local com os protestos. Entre eles, há um piloto da Cathay Pacific, principal empresa aérea de Hong Kong , professores, enfermeiros e comerciantes. Durante a audiência, houve manifestações nos arredores do tribunal.

Pela lei local, motins são definidos como uma reunião ilegal de três ou mais pessoas onde há "violações da paz". Uma das principais demandasdo movimento de oposição que vem ocupando as ruas da cidade há oito semanas é que esta acusação não seja aplicada a nenhum manifestante, já que, em caso de condenação, as penas podem ir até dez anos de prisão.

A maior parte dos detidos foi solta sob fiança de mil dólares de Hong Kong (cerca de R$ 484,28). Entre as condições determinadas legalmente para a libertação está um toque de recolher entre meia-noite e seis horas da manhã e a proibição de viajar. Eles deverão comparecer novamente ao tribunal no dia 25 de setembro. O piloto poderá continuar a trabalhar.

Na noite de terça-feira, manifestantes cercaram as duas delegacias onde os detidos seriam liberados sob fiança, entrando em confronto com a polícia. Em um dos protestos, na madrugada desta quarta-feira, um carro que passava na região atirou fogos de artifício nos opositores, deixando seis pessoas feridas.

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Lei de extradição

Quando as manifestações começaram, no início de junho, o movimento tinha uma demanda bem clara: que o governo local, liderado pela chefe do Executivo, Carrie Lam, não levasse à frente um projeto de  lei de extradição .

Polêmica, a medida permitiria que o território extraditasse pessoas para países com os quais não houvesse um acordo prévio de extradição, como a China continental. Os opositores temiam que a lei fosse utilizada para fins políticos, visto que a palavra final sobre as extradições caberia a Lam, eleita por uma comissão de maioria favorável a Pequim.

Apesar de fazer parte da China , Hong Kong tem autonomia judicial, administrativa e política, garantidas pela Lei Básica estabelecida em 1997, quando o território foi devolvido a Pequim pelos britânicos, no modelo conhecido como "um país, dois sistemas" .

Quando Lam finalmente anunciou que a lei estava "morta" e não voltaria a ser discutida em seu governo, o território já havia mergulhado na crise política mais grave de sua história, com uma escalada dos conflitos entre manifestantes e policiais. O movimento de oposição passou a defender a renúncia de Lam e eleições diretas para a escolha do chefe do Executivo do território, algo que o governo chinês não dá sinais de considerar.

Na segunda-feira, após episódios de violência no final de semana, o Escritório para Assuntos de Macau e Hong Kong de Pequim reafirmou a soberania chinesa sobre o território e o apoio a Carrie  Lam, fazendo um pedido para que "manifestantes radicais" fossem punidos.

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Na semana passada, o principal porta-voz do Ministério da Defesa, Wu Qian, advertiu que a China não tolerará iniciativas de manifestantes que ameacem a autoridade de Pequim, sugerindo que nesse caso poderia mobilizar tropas do Exército Popular de Libertação . A declaração veio após manifestantes cercarem o prédio da representação chinesa , pichando frases anti-China e cobrindo o emblema chinês com tinta preta.