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Preocupação dos congressistas dos Estados Unidos é que os drones enviem informações para agências de inteligência de Pequim ou mesmo para hackers

drone chinês
Reprodução/Bloomberg
A chinesa DJI criou recentemente uma nova linha de drones, batizada como “Government Edition”

Após restrições contra empresas de telecomunicações e de computação, os EUA miram a indústria de drones da China . Citando questões de segurança nacional, o Senado americano aprovou na semana passada o orçamento do Departamento de Defesa para o próximo ano que proíbe o uso militar de drones chineses. A versão da lei debatida na Câmara dos Representantes, que deve ser votada neste mês, deve proibir qualquer drone estrangeiro.

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" Drones produzidos na China impõem um imenso risco para a segurança nacional", afirmou o senador democrata Chis Murphy, em entrevista ao Wall Street Journal . "Temos que fazer tudo o que pudermos para reverter esse curso, e colocar a indústria local e a segurança nacional em primeiro lugar", acrescentou.

O temor dos congressistas é a dependência dos drones chineses, o que pode colocar em risco a infraestrutura americana. A preocupação é que os drones enviem informações para agências de inteligência de Pequim ou mesmo para hackers. As forças militares americanas usam drones de grande porte desenvolvidos nos EUA , para ações no campo, mas também usam drones menores, para vigilância, treinamento e outros usos.

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A Base Militar Andrews, em Maryland, por exemplo, informou num site de licitações federais que pretende comprar dezenas de drones produzidos pela chinesa DJI para vigilância. Segundo o Centro para o Estudo de Drones, da Bard College, em Nova York, o orçamento da Defesa do ano passado incluiu despesas de US$ 280 milhões para a compra de pequenos drones, contra US$ 89 milhões no ano anterior.

Um memorando de 2017 do Departamento de Segurança Nacional alertou que a DJI estaria “seletivamente mirando entidades governamentais e privadas para expandir sua capacidade de coletar e explorar dados sensíveis dos EUA”.

A DJI, maior fabricante mundial de drones voltados para o mercado consumidor, nega a acusação. A companhia afirma que seus drones podem ser modificados para bloquear a transmissão de dados e a conexão com a internet, e que o governo chinês nunca procurou a empresa atrás de seus dados. E um outro relatório, do Departamento do Interior, conclui que os drones da DJI atendem aos seus padrões de segurança.

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Recentemente, a DJI anunciou planos para fabricar drones na Califórnia, para atender o mercado americano. Além disso, criou uma nova linha de drones , batizada como “Government Edition”, que armazena os dados internamente, que só podem ser coletados após o pouso da aeronave.